Crítica | Free Guy: Assumindo o Controle

Misture videogame e muita referência à cultura pop com cinema. Já vimos isso várias vezes. Mesmo assim, Free Guy: Assumindo o Controle consegue ser algo divertido e, se não tão original, pelo menos traz novos elementos para a tela e diverte muito.

Na história acompanhamos Guy, um caixa de banco preso a uma entediante rotina que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que é um personagem em um jogo interativo. Agora ele precisa aceitar sua realidade e lidar com o fato de que é o único que pode salvar o mundo.

Uma história até bem clichê que já vimos muito bem trabalhada diversas outras vezes com pequenas variações. Mas, hey, se é clichê, é porque funciona e vende. Um dos elementos novos que Free Guy traz é a atualidade do tipo de game. Você tem certeza que está vendo um filme de comédia sobre GTA Online, com pequenos elementos de outros jogos, como Fortnite talvez (não posso afirmar porque não jogo nem entendo nada desse jogo).

Uma das referências mais legais do filme, fica bem pro final, eu diria que no que pode ser chamada de ‘batalha final contra o boss’. Não quero dar spoilers, mas eu diria que esse easter egg só pôde acontecer graças à fusão Disney/Marvel/Fox. Eu fui muito surpreendido e soltei uma boa gargalhada. E não foi totalmente gratuito, apenas pela referência. Cabe na história e no contexto.

É claro que o carisma e o talento de Ryan Reynolds (Guy) contribui muito para que o filme te prenda. Mas se você é fã de games, e especialmente se já os joga há uns bons anos, vai ficar caçando (e achando) um monte de referência no filme. É óbvio que ele não tem nem de perto a quantidade absurda de easter eggs que Jogador Número 1 tem. Mas Free Guy supera muito JN1 em diversão, na minha opinião.

Além de Ryan Reynolds, outras atuações carismáticas que merecem destaque são Taika Waititi como o vilão Antoine e Jodie Comer como a Molotov Girl. Eu tenho a impressão de que Taika ainda vai ter seu nome marcado como um dos melhores de sua geração no que faz, eu só queria ver algo totalmente diferente dele, saindo da sua zona de conforto que é ação/dramédia/comédia escrachada. Acredito que aí ele vai mostrar que realmente é incrível, porque talentoso dentro do que se propõe a fazer, ele já se provou. Quanto a Jodie, eu ainda a conheço pouco, mas as duas vezes que a vi atuando, me convenceu muito. E olha que a outra foi em O Último Duelo, algo completamente diferente e mais intenso.

Eu tinha quase certeza que estava vendo um filme que tinha mais influência de Taika, talvez não como diretor, mas como roteirista ou pelo menos produtor, afinal, tem muito a cara dele esse tipo de produção. Mas me enganei. Quem dirige é Shawn Levy, nome por trás de filmes como Doze é Demais, a trilogia de Uma Noite no Museu, Uma Noite Fora de Série e alguns episódios de Stranger Things. Já a produção fica por conta, essencialmente, do próprio Ryan Reynolds e, pra minha surpresa, Greg Berlanti, o principal responsável por praticamente todas as séries da DC no canal CW (o Arrowverse).

É claro que o grande atrativo do filme é o fator diversão, mas se você ficar atento à história, também terá um bom entretenimento e até poderá refletir sobre algumas questões existenciais e sobre o mundo corporativo. Aliando esses fatores aos efeitos especiais competentes e condizentes com a proposta do filme, tenho certeza que você terá quase duas horas bem gastas.

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