Recentemente começou a circular pela internet algumas imagens e rumores de que a Kappa estava interessada em fazer uma terceira camisa do Vasco com cores que apoiariam a causa LGBT. Essa camisa que vi nas imagens teriam o as cores do arco íris em destaque, mesmo que sem tanto espaço. Algo como um ‘sutil mas marcante’.
Eu achei as camisa bem bonitas. De bom gosto e não modificam tanto (ou nada) o design tradicional. Não que pra mim fosse fazer diferença caso modificasse, eu mesmo curto as que fugiram desse design. Mas dentro da instituição esse aspecto é levado muito a sério.
Acontece que a comunidade do futebol é absolutamente machista, especialmente no Brasil e nesses tempos de trevas que vivemos. Obviamente a maioria dos torcedores, pessoas de masculinidade extremamente frágil, está escandalizada.
Participo de um grupo de WhatsApp somente com Vascaínos, todos homens, afinal, as poucas mulheres que já participaram foram muito sensatas ao se retirar. E todos, se não, pelo menos a maioria, é o padrão hétero topzera. Foi compartilhado um dos supostos modelos que teriam sido vazados. Parece que suas honras foram pessoalmente atacadas.
‘Há muitas outras causas pra apoiar‘, ‘Não é o momento pra isso‘, ‘Camisa horrorosa, nada a ver com nosso time‘. Essas foram apenas algumas das frases que li dos vascaínos de orgulho ferido porque seu time acrscentou detalhes em seu sagrado e imaculado manto em defesa de que pessoas tenham o direito de amar a quem quiserem sem precisarem ser diminuídas e excluídas por isso.
Eu, pessoa sensata que procuro ser, e que acredita na defesa desta e de outras causas sociais (e/ou políticas, chame como quiser), resolvi me manifestar. Não apenas eu realmente achei a camisa bonita e compraria, como acredito que poucos clubes no Brasil teriam mais direito de apoiar esta e outras causas. Afinal, o Vasco é referência quando se trata na luta pela igualdade, a princípio, racial. E hoje, por que não a que se rerefere a sexual e de gênero, uma evolução (ou seria involução?) dessa questão de igualdade.
E tem mais: nosso estádio é um símbolo, contruído pelo e para seu próprio torcedor e também foi palco para momentos históricos em defesa dos direitos dos trabalhadores. O Vasco é um grande patrimônio nacional quando se refere a questões sociais, de importância mundial eu diria. Além disso, tem enorme visibilidade (por mais que sua administração continue gradativamente arranhando sua imagem ao longo das últimas décadas). Nada mais do que normal que a instituição se posicione e seja vanguardista nesse assunto que precisa ser defendido e, no mínimo, debatido.
Estou de acordo em apenas uma coisa: talvez esse não seja o melhor momento político para isso. Contudo, se não agora, quando? Já me esquueci de quanto tempo faz que o Vasco não enfrenta uma crise. Eu vejo até como uma vantagem que seja feito agora. Coloca o Vasco em holofotes, pode trazer patrocinadores simpatizantes à causa que vejam a oportunidade de investimento em clube desse tamanho. Além de que desviar a atenção dos outros problemas cairia muito bem para a política do clube. Não vejo perdedores nisso.
Mas o torcedor não pode jamais ser motivo de chacota entre os coleguinhas: “Olha lá o time do cara fazendo camisa em homenagem aos viadinhos! Vai ter coragem de vestir essa camisa colorida na rua? Coisa de viadinho!” Se você quer viver tapando o sol com peneira fingindo que gays não existem ou vai insistir que isso é errado, você já tem problemas desde aí. Mas pelo menos tenha visão. Enxergue o quanto isso pode representar positivamente para o Vasco. E se você realmente acha a camisa feia, você ainda terá mais duas camisas de jogo, as de goleiro e as antigas pra comprar.
Não consigo de forma alguma entender como funciona a cabeça de um cara desses. E ele simplesmente não entende nada do que é ser Vascaíno de verdade, desconhece ou ignora a história do seu dito clube de coração. Ele simplesmente torce pro Vasco porque alguém um dia lhe disse que esse era o time dele e ele aceitou e não questiona. Aprendeu a acreditar que aquilo era o certo pra ele. Mais ou menos uma das premissas da homofobia.







