Crítica | Era uma vez em… Hollywood

Um filme de Quentin Tarantino. No elenco, Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Al Pacino… Eu nem sei por qual razão demorei tanto a assistir a esse filme. Mas no fim, parece que o hype foi muito maior do que a entrega.

Quer dizer, é claro, é um bom filme. É Tarantino! DiCaprio, Brad Pitt e etc. Mas não é nem de perto o que esperava (ou queria).

A maior parte do tempo, a gente acompanha a vida de Rick Dalton (DiCaprio) que é um ator que já viveu dias de glória e é levado a acreditar que agora está em decadência. Ao mesmo tempo, também vemos seu dublê, Cliff Booth (Brad Pitt), que o acompanha o tempo inteiro e é praticamente um faz-tudo para o amigo.

Rick Dalton

Por mais que no fim do filme entendamos que tudo o que Rick e Cliff passam ao longo da história os leva e justifica tal conclusão, fica a sensação de que foi muita ‘encheção de linguiça’.

Se você não viu, vou dar um pequeno spoiler, mas que não mudaria tanto sua experiência de assisti-lo. Fica o aviso. O próximo parágrafo é esse ‘spoiler’, depois dele pode seguir normalmente.

Toda a parte do Bruce Lee, por exemplo, é desnecessária pra história. Bastava dizer que Cliff tinha um problema com o diretor do Besouro Verde, sem precisar detalhar tal problema. Ou poderia ser aproveitado para contar essa história de alguma forma que o enredo do filme evoluísse junto. Não que todas as cenas de um filme precisem se fazer necessárias para se contar a história principal. Mas é que poderia ser inútil mas continuar sendo interessante.

Talvez uma das principais razões para que eu não tenho curtido tanto é que ela reconta uma história real incluindo personagens que existiram. Só que personagens e situações específicas se misturam e influenciam a história real, mudando o final que aconteceu de fato. Quem assistiu Bastardos Inglórios sabe do que eu tô falando.

Acontece que eu, assim como provavelmente a maioria dos espectadores brasileiros (e provavelmente de outros países), não conhecia a tal história real. Então, esse elemento surpreendente que muda a história, e especialmente as referências que aparecem no filme, acabam passando batidas para quem não conhece a história verdadeira e seus personagem.

Eu mesmo só sei que se trata de uma adaptação de uma história real, porque meio que me contaram antes. Então, não é que esse fato torne o filme ruim pra quem não conhece, ou muito bom pra quem conhece. Só que isso influencia muito na sua opinião e percepção sobre o filme.

Cliff Booth

Saindo da parte da história, mas de certa forma, ainda estando ligado a ela, falemos das atuações. Começando pelo Brad Pitt, porque… bem, porque seu personagem (apesar de essencial para a conclusão da história) passa cerca de 80% sendo o famoso ‘não fede nem cheira’. Então, dá pra quase ignorar a atuação de Brad nesse filme.

Sabemos que ele pode muito mais do que foi apresentado aqui e o personagem poderia ter sido interpretado por qualquer outro ator desconhecido e até menos talentoso. Discordo totalmente da indicação dele para Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Ele já fez coisa muito melhor que onde mereceu mais.

Sharon Tate

Margot Robbie é outra que eu diria que poderia até ser cortada do filme. A única conexão dela com os outros personagens acontece exatamente na última cena do filme. Ela provavelmente só está ali para deixar claro que o filme adapta uma história real. Então não vale nem muito a pena tecer muitos comentários sobre sua atuação. Nem é que ela esteja ruim, mas… meh.

Leonardo DiCaprio. Bem, Leo DiCaprio né galera? Contudo, essa também não é sua melhor atuação. Confesso que quando assisti ao trailer, achei que ele iria destruir nesse filme, por conta de uma cena. Vou embedar aqui justamente a partir do momento em que fui enganado.

FUI TAPEADO!

De toda forma, ele manda bem. Só não é pra tanto. Me disseram que ele seria concorrente para o Joaquin Phoenix na categoria Melhor Ator do Oscar desse ano. E nem ferrando ele será! Joaquin roubou o filme pra ele. Pelo menos 75% do sucesso de Coringa se deve à atuação dele. Já Leo em Era uma vez, é só uma atuação mediana em um filme que faria sucesso por ter Tarantino nos créditos, e claro, os atores envolvidos. Ou seja, outro caso de ‘já vimos mais dele’.

É claro que o filme tem muitos méritos. A estética característica do Tarantino está lá bem visível e incrível como sempre. O figurino, a fotografia e o design de produção, estão realmente excelentes. Então até acredito que nessas categorias, bem como nas técnicas como de som, por exemplo, o filme tem chances reais de ganhar o Oscar e as indicações foram muito justas.

Por fim, acredito que a frase que melhor resume o filme é: ‘É bom, é interessante… Só que eu esperava e poderia ser muito mais.’ Além de, como já disse, quem não conhece nada sobre a história em que o filme se baseia, pode não achar lá tão interessante.

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