Crítica | Parasita

Vez ou outra surgem fenômenos de crítica e popularidade na cultura pop. A bola da vez é Parasita, um longa sul coreano que é favorito absoluto ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E tamanha é sua aclamação, que ele também concorre ao prêmio de Melhor Filme, no geral.

Mas o que faz de Parasita esse sucesso todo? Em primeiro lugar, o filme é impecável nos aspectos técnicos. A fotografia é linda. O Design de Produção também está excelente, a construção de todo o ambiente e cenários onde o filme se passa transmitem de forma muito convincente tudo que precisa ser transmitido. Da mesma forma, ele mantém o nível lá em cima nos outros quesitos técnicos.

As atuações são todas maravilhosas. Não dá pra escolher quem é o destaque, uma vez que todos estão no mesmo (e ótimo) nível. Se fosse para dar uma premiação por atuação, deveria ser conjunta, como o Emmy faz, premiando o Melhor Elenco.

Sobre a história? É difícil definir, mas talvez a palavra mais adequada seria surpreendente. Dá pra observar diversos gêneros dentro do mesmo filme, sem desgastar nenhum e sem ser raso em nenhum. A cada momento em que o filme muda de ritmo e de tom, ele é extremamente competente.

Começamos o filme quase sempre rindo, mas na maior parte do tempo sabendo que é quase errado rir. São situações absurdas, exageradas, mas que ao mesmo tempo são possíveis e, por isso, é triste que existam. Então a crítica que o filme faz é em um tom cômico, a princípio.

Logo passamos a acompanhar a evolução dos personagens e vemos suas camadas. Então há uma transição para o drama, com algumas interseções cômicas. Um dramédia. E é nesse momento que o filme começa a ficar ainda mais legal, pois vemos que tudo tem pelo menos dois lados.

Por bastante tempo, torcemos pela família protagonista, mesmo sabendo que o que eles fazem é errado. Acontece que entendemos a razão para esses serem assim. Por outro lado, a família que eles ‘exploram’, também é muito legal. Então fica o dilema. Até que mais pra frente vemos que essa família ‘explorada’ também tem nuances, e podem não ser assim tão legais.

Portanto, o tempo todo o filme nos coloca em posição de questionarmos tudo, especialmente a forma como vimos tudo. Não só nessa história, mas na vida real. E por mais que as situações sejam absurdas, exageradas e se passem na Coreia, conseguimos nos identificar muito.

E o plot twist? Duvido que alguém adivinhe antes. E ele é usado como um recurso narrativo válido na história, não é gratuito. E ele muda mais uma vez o tom do filme, que passa a ganhar ares mais de suspense.

Quando vem o clímax, estamos totalmente paralisados, somos surpreendidos por mais uma mudança no tom que inclusive até aumentam a classificação etária do filme com uma sequência de no máximo 10 minutos. Muito tenso.

O epílogo retoma o drama pesado, reforça a já pesada crítica social e dá aquele soco final no estômago. Quando acaba, fica aquele momento de ‘digestão’ do filme. E ele desce pesado.

Parasita é um filme, de fato, impressionante. Na parte técnica e na parte orgânica, humana. Te faz rir, chorar, ficar com raiva, com medo, sem ar, com pena. É um filme que merece todos os prêmios que concorrer. E que precisa ser assistido por todos. Toda a repercussão se justifica e, caso as premiações venham, também serão justas.

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