Crítica | Enola Holmes

Enola Holmes estreou no fim de Setembro como produção original da Netflix. Com Millie Bobby Brown (a Eleven de Stranger Things) no papel principal e Henry Cavill (Superman em Homem de Aço e Batman vs Superman) como Sherlock Holmes, o filme conta a história da irmã mais nova do melhor e mais famoso detetive da cultura pop.

O plot principal é bem simples: Quando sua mãe (Eudoria Holmes, interpretada por Helena Bonham Carter) desaparece, fugindo do confinamento da sociedade vitoriana e deixando dinheiro para trás para que ela faça o mesmo, a menina inicia uma investigação para descobrir o paradeiro dela, ao mesmo tempo em que precisa ir contra os desejos de seu irmão, Mycroft (Sam Claflin), que quer mandá-la para um colégio interno só de meninas.

Parece apenas mais uma história de aventura com investigação. Até tem muito disso mesmo. Porém, é uma grande metáfora para o feminismo e empoderamento, especialmente pelo fato de ser ambientado na Era Vitoriana, no fim do Século XIX, onde as mulheres ainda não podiam quase nada e muitas das revoluções na sociedade ainda não haviam acontecido.

Mas o mais divertido mesmo, é acompanhar a performance incrível de Millie. A menina está cada vez melhor e nesse filme mostra todo seu potencial. Quem a acompanhou em Stranger Things sabe muito bem que ela tem muita expressividade, mas com o passar do tempo e com sua experiência e dedicação, ela tem conseguido se superar.

Enola quebra a quarta parede frequentemente no filme, chega até a ser exagerado em alguns momentos. Ela é a narradora da história e conversa com o espectador. São nesses momentos que vemos sua capacidade de expressar com o rosto e trejeitos tudo que sente e pensa. Praticamente uma Fleabag adolescente (sem todo drama e a boca suja, claro).

Falando em referências, Enola Holmes parece mesmo uma história de Sherlock Holmes, só que a estrela da história é uma menina que, como tal, vive os dramas e emoções que lhe são peculiares. Acrescente à história pitadas de Agatha Christie, afinal, temos um ponto de vista feminino nos mistérios.

O jeito que Enola observa tudo, sua memória fotográfica, sua atenção aos detalhes e até mesmo o recurso gráfico utilizado no longa que por vezes dá zoom nesses detalhes, outra vezes volta no tempo para mostrar algo que não percebemos, ou por outro ponto de vista, ou ainda quando peças se movem no ar e se encaixam para deixar clara as pistas, tudo isso é muito Sherlock Holmes. Já vimos isso em Sherlock, série com Benedict Cumberbatch e até em outras adaptações do detetive como no filme de Guy Ritchie com Robert Downey Jr. no papel principal.

Aqui um exemplo dos recursos visuais do filme…
…e como funcionava a ‘visão’ do detetive na série Sherlock, da BBC

E por falar em Sherlock, Henry Cavill traz uma interpretação um tanta diferente do famoso detetive. Ele é mais jovem do que estamos acostumados e está no meio termo entre ser totalmente sem emoções e sentir um afeto especial pela irmã. Na verdade está mais para orgulho e vontade de ajudar e incentivar os talentos que ele acaba de descobrir na menina.

Nunca fui leitor do personagem, nem acompanhei muito suas histórias no audiovisual, só ocasionalmente. Mas gostei bastante dessa versão, até porque aqui ele não é o foco, é só um coadjuvante, quase um espectador em tela.

Sam Claflin está ótimo como Mycroft, personagem que eu não conhecia mas que já odeio. Provavelmente muito por conta da interpretação de Claflin, que está muito convincente, mais odioso até do que o seu Will de Como eu era antes de você, que era irritante no livro mas não ficou tanto assim no filme.

Já Helena Bonham Carter está fazendo um papel mais ‘alegre’ do que nos acostumamos a vê-la interpretar. Mas mesmo assim, ela torna a interpretar uma mulher um tanto à margem de sua sociedade e que é considerada ‘louca’ por suas atitudes e gostos peculiares. Um tanto mais do mesmo pra ela, mas que ela sempre manda bem ao fazer.

Em suma, Enola Holmes é um filme muito divertido que pode e deve ser assistido em família. Ele pode ensinar muito especialmente para meninas. Dá pra aprender sobre história, sobre direitos civis, empatia e sobre a importância de ler e estudar. Entre diversas outras coisas. Tudo isso com um ritmo bem dinâmico e com boa dose de humor.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.