Achar um filme de comédia realmente boa que me faça dar uma pausa nas séries e nos filmes de outros gêneros que costumam ser minhas prioridades hoje, não é fácil. São raros os filmes com foco na comédia que realmente chamam minha atenção. Mas, Que horas eu te pego? conseguiu essa façanha e cumpriu bem sua premissa.
Jennifer Lawrence já se provou uma excelente atriz. Além de ser muito carismática, ela tem se mostrado muito prolífica, fazendo bem filmes de gêneros variados. No entanto, foi no drama onde teve mais reconhecimento, tendo sido indicada 4 vezes ao Oscar (vencendo um) e 5 vezes ao Globo de Ouro (vencendo 3).
Quando eu vi que ela estava protagonizando (e produzindo) um filme de comédia escrachada, eu pensei ‘taí uma coisa inesperada e que merece atenção’. Ela é tão engraçada nas entrevistas que dá, se pudéssemos ver essa espontaneidade e zoeira nas telas, seria interessante.
E ela não decepciona. Dificilmente eu teria assistido a esse filme, e mais improvavelmente eu estaria aqui escrevendo sobre ele, se não fosse por conta da participação de JLaw nele.

O filme conta a história de Maddie, uma mulher nos seus 30 anos que está desesperada por dinheiro e concorda em namorar o filho introvertido e desajeitado de 19 anos de um casal rico. Muito simples, parece uma comédia dos anos 90 e até final dos 80 que claramente soa muito errada e onde já temos uma clara noção do que vai acontecer.
Mas mesmo tendo a impressão de que já vimos esse filme contado de outro jeito, ele consegue ter suas variações que surpreendem e meio que atualizam o tipo para os dias atuais. Os personagens tem camadas mais críveis e aquela sensação de ‘isso é muito errado’ não chega a ser desconfortável demais. Talvez daqui uns 10 anos ele não passe no teste do tempo ao ser reassistido, mas hoje, em 2023, tá dentro do limite.
Quando falamos em atuação, JLaw não chega a ser brilhante, mas está de acordo com as expectativas e com aquilo que o filme exige. Fora que está linda, na minha opinião, ela passaria até como mais nova do que sua personagem é, dada a jovialidade e facilidade que tem em transitar nas variações que Maddie exige.
Se tem um ponto que eu achei um tanto desnecessário, é o nu frontal dela. Não vejo como um problema de fato, mas uma coisa na qual esse tipo de comédia exagerou no fim dos anos 90 e início dos 2000 foi nessa apelação, o que afastou muita gente do gênero. Essa cena é cabível na história, mas poderia ser feito de forma mais sutil. A mim, parece algo como ‘JLaw não tem nenhum nu frontal na carreira? Vamos corrigir isso!’ Porém, sendo ela mesma a produtora, ela concordou ou até sugeriu isso. Quase gratuito ou pelo menos forçado.

Já seu par Andrew Barth Feldman, que vive Percy, é muito competente e convincente como um jovem adulto desajeitado e superprotegido pelos pais, mas que é inteligente e até esperto para alguns assuntos, mesmo que no geral, seja inocente. Há uma cena onde ele canta e toca piano que é emocionante até. Depois de assistir ao filme, pesquisei sobre ele e descobri que ele tem uma carreira musical também. Por isso manda tão bem. E de forma geral, ele se mostra muito talentoso e promissor, espero ver mais dele.
Os dois atores têm bastante química e estão super à vontade nos personagens, o que faz com que acreditemos na história, até mesmo em seus momentos mais exagerados e bizarros, como uma boa comédia tem que ser.

Que horas eu te pego? (No hard feelings no original) é um filme muito divertido, mesmo que não te faça gargalhar durante a maior parte do tempo. É uma história interessante, mesmo que clichê, e que conta com boas atuações e situações bem embaraçosas, daquelas que você não gostaria de ver ao lado dos pais, sem ser absolutamente desconfortável a ponto de não ser nada recomendável assistir ao lado dos seus pais, de forma alguma (tipo Borat ou qualquer American Pie).
Na data em que escrevo esse texto, o filme está disponível na HBO Max (em breve apenas Max). Eu recomendo para quem está a fim de um filme engraçado e que não te exige pensar, só curtir.