A segunda temporada de Lost expande os muitos mistérios da ilha onde o voo Oceanic 815 caiu. A trama fica cada vez mais intricada e cheia de reviravoltas, aprofundando nas histórias pessoais dos sobreviventes (o mais importante da série), mas ao mesmo tempo, revela segredos obscuros e traz novos desafios.

Se a primeira temporada focava em emoções intensas e alguns plot twists, a segunda trouxe uma mudança significativa com a saída de J.J. Abrams da produção. Com Damon Lindelof no comando, a série passou a focar mais no desenvolvimento dos personagens, ao mesmo tempo em que expandia a exploração do misterioso universo da ilha. Com isso, Lost evoluiu para uma narrativa mais profunda e dramática.
Essa temporada é marcada pela exploração da misteriosa escotilha descoberta no final da primeira temporada. Dentro dela, os sobreviventes encontram Desmond Hume, um homem que vive isolado e cuja presença traz mais perguntas do que respostas.

Eu não poderia imaginar que nas temporadas a seguir esse se tornaria um dos meus top 3 personagens favoritos na série.
Não lembro mais quais eram as teorias predominantes na época da exibição, sobre o que exatamente havia na escotilha. Mas aposto que ninguém imaginou que seria um homem escocês (coincidentemente ou não parecido com Jesus que nos acostumamos a ver) e um botão do ‘juízo final’ que precisava ser pressionado a cada 108 minutos.
Paralelamente, a presença d’Os Outros intensifica a tensão e o perigo para os ‘protagonistas’. Aos poucos, somos apresentados não apenas aos sobreviventes do vôo que estavam na parte traseira do avião, mas também a outras pessoas que já estavam na ilha, mas esses segundos, ainda muito superficialmente e do meio para o fim da temporada apenas.
À medida que os episódios avançam, flashbacks revelam mais sobre o passado dos personagens, oferecendo uma profundidade emocional e um contexto que ajudam a entender suas ações e motivações.

Fica cada vez mais clara a ideia de que ninguém ali é ‘preto ou branco’, todos são cinza, com pequenas diferenças na intensidade. Além disso, também fica mais evidente que todos personagens importam, além das conexões deles uns com os outros serem super relevantes para o desenrolar (ou seria emaranhar?) da trama.
Um outro ponto que começa a se mostrar mais claro, é que tudo que vemos ali não tem apenas uma explicação, um ponto de vista. Assim como a ‘moralidade’ e as ações de cada personagem se justificam e podem ser interpretadas de formas diferentes de acordo com a perspectiva, as ‘explicações’, ou pelo menos a forma de percebermos e entendermos as coisas não podem ser definidas com base apenas em um conceito.
Sem dar muitos detalhes, notamos que há questões que podem ter uma explicação mística ou religiosa. Outras, mais científica, lógica. No entanto, dependendo do que você acredita ou sente, daquilo que é a sua verdade, você pode entender como tudo sendo místico/religioso ou tudo científico/lógico. Ou ainda, quando uma forma de entender ‘falha’, só pode ser a outra.
E no fim do dia, Lost é bem isso mesmo. É uma das coisas que mais me encantou da série. Ela te deixa entender ou sentir o que você prefere e não se preocupa em deixar claro se é isso ou aquilo. Não importa. O que vale é a experiência, a reflexão, a discussão.

Mas voltando à trama, quando pensamos no roteiro, fica claro como havia um plano, que tudo fazia sentido mesmo que a ideia fosse parecer confuso. É muito comum, até hoje, ouvir de um espectador casual que Lost ‘não faz sentido’ ou que ‘enrola muito’. Mas com um olhar mais crítico, mais embasado, percebemos que na realidade é genialidade. O roteiro e o desenvolvimento de personagens aqui são primorosos, como poucas vezes vistas em séries até então.
E a reta final, cativa o espectador em uma intensidade… chega a ser sufocante. Os três episódios finais (Three Minutes e Live together, Die alone partes 1 e 2) são dignos de premiações. E como nos pegam! As surpresas que eles guardam, são intensas, pra dizer o mínimo.
O que dá pra dizer, com ‘semi-spoilers’ é que, muito antes de Game of Thrones, Lost já não tinha medo de matar personagens importantes da trama, e mais ainda, mortes em momentos e de formas surpreendentes.
Não há como negar que esse final de temporada é ainda mais empolgante e surpreendente do que o da primeira e ainda conseguimos ter uma perspectiva de para onde a série vai seguir (mesmo que talvez não seja bem o que somos induzidos a pensar).
Mesmo assistindo essa temporada pela quinta vez (SIM!), eu continuo me emocionando e ficando empolgado (uma pena não me surpreender mais com os principais twists, só com detalhes que eu havia esquecido). Vale muito a pena continuar assistindo!