Crítica | Superman (2025)

Depois de anos vendo o personagem se arrastar em universos sombrios e cheios de filtro azul acinzentado, James Gunn chega como quem diz: “E se a gente lembrasse que o Superman é um cara legal?”. Superman (2025) é o primeiro passo do novo DCU — e, ó… a verdade é que funciona. Muito!

James Gunn, que já mostrou ser mestre em transformar heróis B em ícones pop, agora prova que também sabe lidar com o maior de todos. O resultado é uma obra que não só honra o legado do Homem de Aço, como reacende o entusiasmo por tudo que ele representa.

David Corenswet traz uma leveza para Clark Kent que a gente não via desde Christopher Reeve nos anos 70 e 80. Ele não tenta reinventar a roda, nem precisa: seu Superman é o clássico escoteiro de bom coração, mas com um quê millennial que faz a diferença. A vibe? Um cara que salva o mundo antes do café da manhã e ainda resgata um esquilo no meio da pancadaria — literalmente.

Seu Clark tem aquele jeitão tímido e desajeitado que a gente ama, mas quando veste o uniforme, ele brilha com uma segurança tranquila que só um verdadeiro herói tem. É o tipo de Superman que acredita no melhor das pessoas — e faz a gente querer acreditar também. Em tempos de cinismo e desconfiança, ver um herói que salva o mundo e ainda tem tempo pra resgatar um esquilo é quase revolucionário.

Rachel Brosnahan como Lois Lane rouba várias cenas. Inteligente, sarcástica e decididamente no comando, ela atualiza o papel sem perder a essência da repórter destemida. De fazer a gente querer um spin-off só com eles no Planeta Diário resolvendo casos e tomando café. A química com Corenswet é real, viva, palpável. Se esse relacionamento for o centro emocional do novo universo DC, a gente já tem motivo pra voltar.

Aliás, a atuação de Rachel como Lois era uma das coisas que mais me hypavam sobre esse filme, desde seu casting. Me apaixonei pelo trabalho da atriz em The Marvelous Mrs. Maisel, como já disse aqui. E o fato de Lois ser nos quadrinhos uma personagem muito mais interessante do que já foi representada em live action, me fez ter esperança de que o casamento entre atriz, personagem, um roteiro que valorizasse essa união e uma direção que gosta de dar mais espaço e relevância para mulheres, me empolgou muito. E dá pra dizer que as expectativas foram atingidas. Ainda quero mais, mas por enquanto, estou satisfeito.

James Gunn equilibra o épico com o excêntrico como poucos. O filme é grandioso, sim, com monstros gigantes destruindo a cidade e discursos inspiradores, mas também é cheio de detalhes peculiares e humanizados que só ele saberia encaixar. E mesmo com um elenco secundário que parece ter saído direto de um encadernado da Liga da Justiça ‘Alternativa’ (Hawkgirl! Mister Terrific! Guy Gardner! Metamorpho! E até o Krypto!), tudo funciona. Ninguém está ali à toa. Gunn planta as sementes do novo universo DC com inteligência, mas sem deixar de contar uma história fechadinha e emocional.

E só pra reforçar: todos esses personagens secundários são muito importantes já nesta história, especialmente, surpreendetemente e felizmente, o Krypto. Eu gostaria de ver um pouco mais da Hawkgirl, mas o pouco que ela participa já é muito bom e condizente com a personagem. Assim como o Lanterna Verde do Guy Gardner: que cara irritante! Mas que faz o certo quando tem que fazer.

Nicholas Hoult traz um Lex Luthor moderno e perigosamente calculista, com aquela vibe de bilionário tech com complexo de Deus (vocês sabem de quem estamos falando…). Ele ainda está sendo construído como vilão central, mas já entrega uma presença marcante e promissora. Diferente dos vilões grandiloquentes do passado, esse Lex provoca o Superman mais com ideias do que com socos — e isso é muito mais interessante.

No entanto, a única coisa que me incomodou um poquinho no filme, é de fato condizente com o personagem. O Lex é um vilão tão clássico, assim como sua contraparte é um herói clássico e puramente bom, que ele tem aquela velha mania de falar seu plano, contar todos os detalhes, como vilões teimavam em sempre fazer antigamente. Porém, como disse, isso é um traço que está de acordo com o personagem. O Luthor precisa que saibam o que ele fez e como fez, pra mostrar sua genialidade, massagear seu próprio ego, e deixar claro que foi ele quem fez, ele quer o mérito.

Visualmente, o filme é um deleite. O uniforme do Superman é, finalmente, digno do símbolo que carrega. Os efeitos visuais são grandiosos sem cair no artificial, e a trilha sonora resgata o tema clássico de John Williams com elegância e emoção. Sim, a gente ficou com aquele nó na garganta no primeiro voo.

E sobre o esquilo: se você acha que salvar um bichinho no meio do caos é bobo, então talvez esse filme não seja pra você. Porque esse pequeno gesto resume tudo que esse Superman é — alguém que valoriza cada vida, cada detalhe, cada esperança. Da mesma forma que ele volta para segurar um prédio inteiro para que apenas uma mulher em seu carro fuja da cidade em destruição, e depois se ergue dos escombros quando ela consegue e o prédio finalmente desaba, em uma cena épica.

Superman é, sem exagero, o filme que o personagem merecia há anos. James Gunn entrega uma carta de amor ao herói mais clássico dos quadrinhos, resgatando tudo o que faz do Superman… bem, o Superman: esperança, gentileza, força e fé inabalável na humanidade.

É uma história que emociona, diverte e ainda encontra espaço pra surpresas excêntricas. Como fã de longa data do personagem (meu super-herói favorito da infância até hoje), ver esse equilíbrio entre reverência ao legado e frescor narrativo foi simplesmente arrebatador. Se esse é o pontapé inicial do novo universo DC, então estamos muito bem encaminhados.

Nota: 10/10, com o S de Super e de Satisfação Total.

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