Eu juro que não esperava nada de Marvel Zombies, mas a série me mordeu de jeito — e agora tô aqui, contaminado e elogiando até o sangue digital.
Sabe quando você dá play em algo achando que vai ser só mais um spin-off esquecível e, do nada, está completamente viciado? Pois é. Foi exatamente o que aconteceu comigo com Marvel Zombies. Eu comecei a série esperando uma reciclagem qualquer do episódio de What If…? — e terminei arrebatado, tipo ‘ela não prometeu nada e entregou tudo’.
A animação da Marvel Studios chega com um clima que mistura super-heróis e apocalipse zumbi, e o resultado é um banho de sangue estiloso, divertido e viciante. São só quatro episódios, mas que têm mais energia, ritmo e propósito do que muita temporada inteira do MCU live-action. E o melhor: Marvel Zombies tira novamente a Marvel da sua bolha de segurança.
Logo nos primeiros minutos, dá pra perceber que essa é uma produção sem freios. A classificação TV-MA (voltada pro público adulto) não está ali de enfeite — e isso é maravilhoso. A série é violenta, sombria, mas ao mesmo tempo incrivelmente bonita. A animação continua com aquele visual meio What If…?, só que agora com uma paleta mais escura, texturas mais realistas (e lindas!) e uma vibe de HQ viva. Cada quadro parece arrancado das páginas das histórias de Robert Kirkman (que inclusive escreveu a HQ que inspira livremente a série, assim como a famosíssima The Walking Dead), só que com o orçamento e o ritmo de um blockbuster.
E, olha, o roteiro de Zeb Wells entende exatamente o que está fazendo. (E isso é outra grata surpresa, porque esse cara tem mandado mal nas HQs há uns anos). Por trás de todo o caos e das cabeças voando, tem coração. Literalmente e figurativamente.

O pequeno grupo de sobreviventes — que começa apenas com Kamala Khan, Riri Williams e Kate Bishop, e logo chega a Yelena Belova, Shang-Chi e outros rostos improváveis (um deles é muito surpreendente e completamente overpowered) — é o centro emocional da história. Eles brigam, zoam, se desesperam e tentam manter a sanidade enquanto o mundo desaba (ou devora). A química entre eles é deliciosa de assistir, e o humor aparece na hora certa, sem estragar o tom mais pesado.
Algo que nos pega bastante é ver os antigos heróis virando monstros. É, no mínimo, curioso assistir Wanda, Capitão América ou Capitã Marvel totalmente tomados pelo vírus, transformados em máquinas de fome e destruição. Deve haver quem não curta e enxergue como forçar os novos heróis e querer apagar o legado dos antigos, como já disseram por aí em relação a Coração de Ferro. Eu acho isso bobagem e curti.

Marvel Zombies é bizarra, mas também emocional. É um caos com propósito. Tem ação de sobra, mas também tem sutileza. Não é só uma paródia sangrenta; é uma versão alternativa do MCU que parece zombar dele, mostrando como esses heróis também podem ser frágeis, falhos e até… assustadores.
Esse é um ponto bem interessante pra mim. Uma das razões que me faziam ter 0 expectativas é que essa era uma série que ninguém pediu, ninguém se importava. Ela é um spin off de um episódio de uma série em universo alternativo (Foi o 5º episódio da primeira temporada de What If). Ainda por cima, leva o nome de uma HQ que também foi um spin off de uma situação quase irrelevante em um outro universo alternativo (a HQ Marvel Zombies existe porque em dada ocasião, o Quarteto Fantástico Ultimate acabou entrando em contato com aquela realidade onde todo o mundo havia sido contaminado por uma praga zumbi, inclusive os heróis e vilões).
Então por que isso seria relevante? Que tipo de história saído disso poderia ser interessante? E, cara, como é bom ser surpreendido positivamente! Essa falta de obrigação com continuidade e desprendimento, podendo matar personagens relevantes e dar protagonismo a quem ainda não teve essa oportunidade é o principal trunfo da série. E funciona! Muito!
O que me deixou realmente animado foi ver a Marvel sem coleira. Essa é a Marvel que arrisca, que se diverte com o próprio material, que não tem medo de ser feia, cruel ou sombria. Depois de tanta produção formulaica tentando agradar todas as idades, Marvel Zombies parece ter sido feita pra quem já cansou de “piadinha + CGI bonito”. Aqui, o riso vem do absurdo, o impacto vem da coragem.
E talvez o maior elogio que eu possa fazer é que eu terminei os quatro episódios com aquela sensação: queria mais. É curto, sim, mas é o tipo de curta duração que deixa marca. É direto, afiado e totalmente sem gordura. Mas já fica o aviso: termina com um cliffhanger absurdo. Fiquei indignado, eu diria. Sabe lá quando que vão terminar essa história agora… e ela PRECISA de uma continuação.
No fim das contas, Marvel Zombies é a prova de que o universo Marvel ainda tem sangue correndo nas veias — e que, às vezes, é preciso derramar um pouco pra lembrar disso. Eu não esperava nada, e saí completamente infectado. E, sinceramente? Que bom que não tem cura.