Recomendação | Quadrinhos protagonizados por mulheres

Dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher. Pensei que seria uma ideia legal fazer um texto onde recomendo alguns bons quadrinhos protagonizados por mulheres, alguns deles até escritos e/ou desenhados por mulheres também.

Então fui até um dos grupos sobre quadrinhos que participo no Facebook (o 2quadrinhos, do excelente Vinícius <3, YouTuber do canal homônimo) e pedi sugestões da galera pra elaborar um texto com mais e melhores opções.

Então alguns comentários observaram que o melhor (alguns diriam o certo) a se fazer era chamar uma mulher para fazer tais recomendações. Afinal, sendo homem, além de não ter lugar de fala para julgar o que seria realmente relevante ou bom com mulheres no protagonismo, minha opinião poderia ser enviesada.

Acontece que, apesar de até conhecer algumas meninas que curtem quadrinhos, não sei se elas conheceriam tanto assim para opinar a respeito e eu tinha pouco tempo hábil para pedi-las para fazer um texto e publicar aqui (já que resolvi só nesse semana fazer o texto).

Assim, decidi simplesmente acatar as sugestões, a princípio, e deixar o texto (ou quem sabe transformá-lo em vídeo ou podcast) para o(s) próximo(s) ano(s).

Dessa forma, aqui vão algumas das principais histórias em quadrinhos protagonizadas por mulheres.

Tina – Respeito

Achei que seria uma boa ideia começar com uma HQ nacional. Tina – Respeito, foi lançada ano passado e chamou muita atenção da crítica e do público. Essa é a 24ª edição do selo Graphic MSP, criada pela Mauricio de Sousa Produções.

Escrita e desenhada por Fefê Torquato, a história aborda um problema que as mulheres, infelizmente, enfrentam no dia a dia: o assédio.

Em 1970, Tina foi criada por Mauricio de Sousa e tinha o propósito de ser uma representante da juventude, introduzida como uma hippie que usava muitas das gírias da sua época.

De menina hippie, a personagem foi redesenhada e reinventada por Fefê como uma mulher que sofre com a insegurança do começo de uma carreira profissional, ao mesmo tempo em que mostra determinação para fazer o melhor.

 

Aos 22 anos, Tina realiza um de seus maiores sonhos, que é trabalhar com jornalismo. Mas essa alegria não dura muito, uma vez que ela passa a ser assediada por quem deveria estar ao seu lado para apoiá-la.

Me lembro claramente quando a primeira imagem da personagem remodelada apareceu na internet e rapidamente a turma que odeia mulheres dizendo que a ‘geração lacradora estragou a Tina, a personagem mais gata da Turma da Mônica’.

Essa foi uma das razões principais para que a história acabasse sendo criticada negativamente antes mesmo de ser lida. Bom, infelizmente eu mesmo ainda não li, não tive a oportunidade de comprar e não curto muito scans. (Alô MSP, pode mandar mimos!)

Além do mais, esse aqui é um dos casos onde concordo com aqueles que disseram que eu deveria ter uma opinião feminina. Como não tenho nenhuma aqui junto, deixo vocês com a opinião que respeito e admiro muito das Minas Nerds, que falaram brilhantemente sobre a HQ e sua repercussão.

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Desconstruindo Una

A segunda HQ que escolhi falar, foi Desconstruindo Una, a HQ que estou lendo no momento. Olha, até o momento em que estou escrevendo esse texto, estou por volta do meio da história. E QUE HQ MARAVOLHOSA!

A história é a seguinte: Um assassino em série está aterrorizando o pequeno Condado Inglês e a polícia encontra dificuldade em resolver o caso – mesmo tendo interrogado o assassino (sem o saber) nada menos que nove vezes. Enquanto a história se desenvolve ao seu redor, Una, então com 12 anos, vivencia uma série de atos violentos pelos quais se culpa. Por meio de um entrelace de imagem e texto, Desconstruindo Una examina o significado de se crescer em meio a uma cultura na qual a violência masculina não é punida ou questionada. Com uma retrospectiva de sua vida, Una explora sua experiência e se pergunta se algo realmente mudou, desafiando a cultura que exige que as vítimas de violência paguem por ela.

Pesadíssimo. E importantíssimo. Para mim, que vivo com duas mulheres em casa, sendo uma delas uma criança, bate forte e fundo. Além de uma história que por si só já valeria sua atenção, a HQ tem uma narrativa muito legal e tem uma arte simples mas linda. A diagramação diferenciada, com textos mesclados às imagens, também são uma boa sacada.

 

Como já disse, ainda estou no meio da história, por isso, novamente, deixo aqui o link para o que as Minas Nerds falaram a respeito de Desconstruindo Una, que eu já recomendo a todos, sejam mulheres que serão certamente atingidas por sua mensagem de forma muito mais intensa, ou para qualquer um que tenha empatia suficiente para sentir toda a profundidade da trama. E é fundamental para quem quer treinar, desenvolver empatia e desconstruir paradigmas.

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Persépolis

Uma das HQs mais citadas na minha pesquisa sobre histórias com protagonistas femininas, Persépolis é mais uma das que ainda não li. Já está na minha lista para ser adquirida o quanto antes.

Persépolis foi publicada em 2010 pela editora Companhia das Letras e é escrita e ilustrada pela iraniana Marjane Satrapi. É uma narrativa autobiográfica contada através de uma história em quadrinhos que vai desde a infância até os primeiros anos da vida adulta da autora/protagonista.

O leitor é envolvido pelo cenário político, religioso e de opressão a que o povo iraniano está submetido a partir da implantação do regime xiita. Persépolis é uma das poucas oportunidades de se conhecer uma obra iraniana, com um viés histórico e politizado. E o mais legal: feita em quadrinhos.

Como também não li Persépolis (ainda), deixo aqui mais um link para você conhecer mais sobre essa obra antes de, possivelmente, adquiri-la. Dessa vez o link te levará para o Delirium Nerd, outro blog de cultura pop totalmente mantido por mulheres.

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Minha Coisa Favorita é Monstro

Essa é uma das experiências literárias mais interessantes e diferentes que já tive. Minha coisa favorita é monstro é tão peculiar que eu não consigo defini-la em um gênero.

A obra é vendida como uma história de terror. E há, sim, alguns elementos do gênero ao longo da história. Em alguns momentos ele até ganha bastante força. Contudo, não dá para dizer que esta é história essencialmente de terror. E por mais que o suspense permeie a narrativa quase que em sua íntegra, se eu tivesse que escolher um gênero como principal seria drama.

A história é narrada pela personagem Karen que é uma menina de 10 anos moradora de Chicago nos anos 60. Apaixonada por histórias de terror e por arte, ao contar sua história, ela a desenha em seu caderno com caneta esferográfica, e nós leitores vamos acompanhando tudo através desse caderno.

E essa forma de narrar é tão interessante e diferente que em muitos momentos fica difícil dizer se é uma história com ilustrações ou se são ilustrações que contam história com eventuais palavras.

Além de todas as questões naturais que uma menina de 10 anos quase chegando à adolescência enfrenta, Karen, curiosa e esperta que é, decide investigar o assassinato de uma moradora do seu prédio enquanto também enfrenta situações difíceis em casa.

 

Um história que fala de bullying, descoberta de sexualidade, um mistério a ser desvendado, discussões feministas, críticas à objetificação da mulher… e tudo contado pelo ponto de vista de uma menina de 10 anos.

Além da obra em si, há muito a se dizer sobre sua autora. Emil Ferris, fez todo o livro utilizando caneta Bic, com impressionante talento artístico, indo do caricato/cartunesco ao impressionante realista e fazendo uso total dos espaços das páginas de caderno. E ela ainda tem o adendo de ter desenvolvido essa obra de arte em um momento dificílimo de sua vida pessoal.

Ao ser picada por um mosquito, ela ganhou uma infecção em função do vírus do Nilo Ocidental. Como estava com imunidade baixa porque cuidava da filha pequena durante o dia e trabalhava de noite, acabou desenvolvendo uma doença neurológica. Em três semanas ela estava paralisada da cintura para baixo e seu braço direito parou de funcionar. Para piorar, ela era uma ilustradora freelancer e com tudo isso, não tinha mais como desenhar.

Se a história da obra não o convenceu de que você precisa tê-la em sua estante, a história real da autora certamente o tocará para tal.

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Ms. Marvel

Chegando no mainstream Marvel/DC, começo por Ms. Marvel. Kamala Khan é uma das personagens mais legais criadas nos últimos anos pelas gigantes dos quadrinhos mundiais.

A adolescente americana de origem paquistanesa que cresceu na cidade de Jersey City, rapidamente conquistou leitores e logo passou a ter participação ativa nos Vingadores, chegando até a criar o seu próprio grupo de heróis.

Kamala se tornou conhecida por ser a primeira personagem muçulmana da Marvel a se tornar estrela de sua própria HQ. Ela é inumana e seus poderes apareceram após ser envolvida por uma névoa liberada pelo Raio Negro (soberano dos Inumanos) e, após ter uma visão com a Capitã Marvel, ela acorda com poderes de alterar a massa de seu corpo e decide seguir os passos de sua heroína inspiradora.

Antes de ser uma heroína, Kamala escrevia de fanfics na web. Ela sempre foi muito fã dos super-heróis, que em seu mundo, são reais. Então criava histórias em que eles se envolviam romanticamente enquanto salvavam o universo. Porém, o mais legal, é que mesmo depois de passar a lutar contra o crime e virar uma Vingadora, ela nunca perdeu o encantamento de uma fã.

Sua devoção à Capitã Marvel sempre fez diferença em sua vida. Apesar de não ter qualquer ligação com Carol Danvers, ela escolheu o nome de Ms. Marvel por sempre ter a heroína como inspiração. Elas, obviamente, se conhecem e Danvers assume o papel de mentora da jovem heroína.

 

Ela é um dos melhores exemplos de que não tem sentido essa história de ‘quem lacra não lucra‘ que a corrente mais conservadora de nerds adotou e grita/esperneia pelos quatro cantos da internet. Afinal. além de ser uma personagem interessantíssima e muito divertida, ela se tornou uma das mais importantes personagens da Marvel vendendo muito bem.

Até Barack Obama já se declarou um grande fã da personagem e dissea que ela é extremamente importante para jovens dos EUA. Em 2016, ele elogiou Sana Amanat, criadora do personagem, por ter feito uma heroína que mostra uma versão positiva de muçulmanos americanos e que serve como modelo para meninos e meninas ´por todo o mundo, especialmente nos EUA (um país xenofóbico, especialmente quanto a muçulmanos). “A Ms. Marvel pode ser a sua criação para os quadrinhos, mas acredito que para garotos e garotas a sua heroína é muito real”, afirmou.

Eu concordo com Obama. Tenho algumas edições da Ms. Marvel aqui na minha coleção e curto muito. A leitura é fácil rápida e agrada a todos os públicos. Eu digo que Kamala Khan é a Peter Parker dessa geração.

Recomendo a todos, mas se você quer começar a ler quadrinhos e não sabe por onde, comece por ela. E mais importante: se você quer incentivar um pré-adolescente a ler, especialmente meninas, Ms. Marvel é a melhor escolha, sem dúvidas.

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Capitã Marvel

Antes de se tornar a Capitã Marvel, a personagem Carol Danvers já havia adotado outros nomes e até mesmo dá pra dizer que personas diferentes nos quadrinhos.

Porém, no início dos anos 2010, a Marvel Comics decidiu que estava na hora de estabelecer definitivamente a personagem como a maior heroína de seu Universo. Coube à Kelly Sue DeConnick tal tarefa.

Nessa época, esse era o único título publicado pela Marvel que era protagonizado por uma mulher. Assim, foi uma grande responsabilidade para DeConnick reinventar a personagem e torná-la interessante e importante para o universo da qual ela fazia parte há décadas como mera coadjuvante.

Com cerca de 30 mil exemplares vendidos mensalmente, Capitã Marvel não vendia tanto quanto os medalhões da editora, mas desenvolveu uma fan base que era muito fiel.

Carol é uma mulher com histórico militar, feminista. A ideia de tê-la voando por aí com a bunda à mostra é ridícula”, disse Kelly há um tempo em entrevista à EW, mencionando ao collant que a personagem usava quando era conhecida como Miss Marvel. O novo uniforme deu a ela uma postura diferente, isso é claro. Mas não foi só isso que levou a personagem ao lugar que sempre mereceu de destaque. “Carol é lindamente imperfeita”, disse Kelly.

 

A trama que reinventou a personagem procurou aproveitar o que ela já tinha de melhor.Assim, essa fase é um ótimo ponto de partida para qualquer leitor que queira se aventurar nas histórias da atual Capitã Marvel, sejam estes novos ou antigos leitores, homens ou mulheres.

Tenha você curtido ou não o filme solo dela e/ou sua participação em Vingadores: Ultimato, ler a fase de Kelly Sue DeConnick ajudará muito você a conhecer melhor essa que, hoje, é uma das personagens mais poderosas do Universo Marvel, após conquistar tal posto na marra e com muito talento de sua roteirista, sempre enfrentando o patriarcado.

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Mulher-Maravilha – Hiketeia

Se tratando de Mulher-Maravilha, o maior ícone feminista da cultura pop, qualquer história que eu mencionasse aqui provavelmente já valeria. Contudo, escolhi essa porque, se não me engano, foi a primeira história solo que li da personagem e já achei fantástica.

O título, Hiketeia, é um juramento grego de honra milenar em que o suplicante (aquele que precisa de ajuda) jura submissão ao suplicado em troca de proteção. Nessa história, vemos uma jovem que mata alguns bandidos e, por conta de tal crime, passa a ser perseguida pelo Batman.

Então ela recorre à Mulher-Maravilha buscando proteção, dando início, assim, ao ritual de Hiketeia. E aí surge um questionamento: tal juramento sagrado deveria ser absoluto e passar por cima da justiça comum? Isso sem considerar o fato de que o próprio Batman já não representa a justiça comum…

Para complicar, como observadoras desse juramento, há as Erínias (ou Fúrias), que penalizam a parte que desobedecer o trato. Elas estão ali para deixar claro que a Hiketeia é sobre o suplicado muito mais do que é sobre o suplicante, afinal, é preciso deixar de fazer o legalmente correto para fazer o moralmente correto.

Assim vemos a Mulher-Maravilha no dilema de tentar não julgar e ao mesmo tempo esperando franqueza de sua suplicante, algo que demora a vir. Afinal, o que ela pede é que Diana enfrente o Batman, alguém que ela sabe que normalmente está sempre do lado correto de um embate e que, acima de tudo, é seu amigo.

 

Tal enfrentamento acontece e é lindo ver a Mulher-Maravilha descendo o cacete no Batman, para desespero de seu fandom. Quem me acompanha sabe que não vou muito com a cara do morceguinho, e vê-lo no chão, sob as botas de Diana e reduzido à sua insignificância quando comparada à uma semi-deusa, foi catártico.

Por fim, é importante ressaltar que Hiketeia é um excelente exemplo de que é possível fazer que quadrinhos de super-heróis mainstream abordem uma história que gera discussões profundas e que nos façam pensar e pesar bem os dois lados de um conflito.

PS.: Essa HQ não se encontra à venda na Amazon em português e já não é republicada pela Panini há algum tempo. Só é possível encontrar a versão deluxe em inglês.

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Saga

Novamente falarei sobre uma HQ que ainda não li mas que tenho muita vontade de ter na coleção, só faltando algun$ detalhe$ para conseguir.

Saga foi bem citada na minha pesquisa com os especialistas a quem consultei. Escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples, a história é descrita como sendo uma space opera, um subgênero da ficção científica onde há romance, drama, viagens interestelares e batalhas espaciais.

Na trama, acompanhamos Alana e Marko, dois ex-soldados que pertencem à duas raças extraterrestres distintas. Eles estão fugindo das autoridades de seus planetas-natais, que estão em guerra entre si, e lutam para conseguir cuidar de sua filha recém-nascida, Hazel, que ocasionalmente é a narradora da história.

As raças dos protagonistas são inimigas e vivem em guerra, portanto há um quê de Romeu & Julieta na história. Além disso, um fato diferente aqui é que Hazel passa a ser a narradora da história desde o ventre da mãe.

Saga tem ritmo rápido permitindo ao leitor uma experiência de imersão. Além disso, os temas apresentados são muito atuais e tem muita relevância social e histórica.

As principais personagens desta história são mulheres. Todas elas muito profundas, com camadas psicológicas que mesmo com o tom sci-fi nos permitem reconhecer exemplos femininos reais que encontramos ao longo da vida.

Alana, por exemplo, apresenta um conflito interno muito grande entre o que a personagem era, passou a ser enquanto grávida e após o nascimento da filha. Vinda de um lar opressor, Alana decidiu alistar-se no exército para fugir dos problemas familiares, porém encontrou muitas dificuldades no caminho e, sendo um soldado em um planeta em constante guerra, obviamente carrega muitos traumas.

Outra questão importante trabalhada em Saga é também a diversidade presente étnica. Há mulheres negras, híbridas entre humanos e outras espécies e de povos mestiços, como a própria Hazel, por exemplo.

Como se não fosse representação suficiente, Saga ainda traz muitos personagens LGBTQ+, como o casal de jornalista e fotógrafo Upsher e Doff, Petrichor, uma mulher trans, e Gwendolyn, bissexual.

Fiona Staples, artista que dá vida aos personagens e a tudo mais nas páginas das HQs, é um grande exemplo a ser seguido por jovens quadrinistas. Sua arte é linda e muito premiada, sendo que ela já ganhou diversos Eisner (conhecido como o Oscar dos quadrinhos).

Mais uma vez deixo aqui um link para quem entende do assunto, as meninas dos Delirium Nerd (de onde tirei muito do que escrevi sobre a HQ aqui).

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Beladona

Mais uma HQ 100% brasileira na lista de indicações. Beladona é escrita pela sul-matogrossense Ana Carolina Recalde e desenhada pelo niteroiense Denis Mello. Foi premiada como melhor Webcomic de 2014 no HQmix, e chamou atenção até mesmo de quadrinistas do porte da Gail Simone (roteirista de títulos da Marvel e da DC).

Ela começou como uma webcomic publicada pelo site Petisco em 2011, depois passou por um processo de crowdfunding no Catarse e passou a ser publicada de forma impressa pela AVEC Editora.

Ela conta a história de Samantha, que é atormentada por pesadelos terríveis, desde os sete anos de idade. Mas esses sonhos ruins não acontecem por mero acaso. Por trás desses pesadelos, existe um motivo terrível e misterioso, que leva a menina em uma jornada de superação, descoberta, euforia, depressão e violência.

Medo constante, sensação de culpa e a forma como as pessoas que sofrem desses males aprendem a esconder os sintomas e fingir que nada está errado, são alguns dos temas abordados na história.

A história de Beladona se passa em dois mundos: a parte do mundo real se é o Rio de Janeiro (Samantha estuda no Colégio Pedro II); a outra parte, onde acontece a maior parte da história, é um terrível e assustador mundo dos sonhos.

Com forte influência nas  HQs e filmes de terror orientais, como Uzumaki e O Chamado é uma ótima história que merece bastante sua atenção e mostra que o cenário dos quadrinhos brasileiros tem muitos talentos nos mais diversos gêneros e tem espaço para todos.

Você pode comprar a versão impressa no site da Editora AVEC, ou versão para Kindle na Amazon: Clique Aqui!

Duplo Eu

Duplo Eu é uma história autobiográfica da luta de Navie contra a obesidade mórbida. Um dia, ela percebeu que estava carregando o peso de uma segunda pessoa. Um duplo que ela teve de eliminar para sobreviver. Navie estava doente. Tinha obesidade mórbida e sofria todos os dias com um sorriso no rosto.

Aceitar-se é sempre difícil, mas, para Navie, amar a si mesma era como amar um reflexo de seu sofrimento. Ela carregava o peso de uma segunda pessoa de quem ela tentou fugir, tentou amar e finalmente matar. Mas como você se mata sem morrer?

Este é um testemunho raro e forte de uma luta que por vezes travamos com nós mesmos. Se você já teve medo do olhar dos outros, se já comeu para se sentir melhor, se faz qualquer coisa para que gostem de você, se já se calou ainda que quisesse gritar, se já se enganou dizendo que está tudo bem ainda que por dentro o Titanic estivesse afundando, se já se viu no espelho e desprezou o que via, se já se tratou como burra, idiota, se ama sexo e piadas embaraçosas, se nunca encarou seu reflexo e disse: eu te amo… Este livro é para você. Excesso de peso envolve todo mundo, que seja no corpo ou no coração.

Um dos temas que até deveria ter maior espaço para debate no mundo atual, a gordofobia entre em foco nessa HQ. Duplo Eu mostra como é difícil lidar com os próprios demônios quando a sociedade pressiona a não realizar isso e, simplesmente, seguir o que seria ditado pelo meio social. O fato de se tratar de uma obra sobre uma pessoa real ainda deixa toda essa conexão mais forte e gera reflexões.

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Dia Internacional da Mulher

Tentei fazer esse compilado primeiramente como forma de homenagear as mulheres no seu dia através de um segmento da Cultura Pop que é menos inclusivo para elas. Além disso, também queria mostrar algumas grandes histórias com mulheres no protagonismo e, quem sabe, fazer com que mais mulheres e meninas se interessem por essa arte e possam torná-la mais diversa num futuro próximo.

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