Crítica | Esquadrão Trovão

Um filme de super-heróis que não é baseado em quadrinhos e que tem duas mulheres por volta de seus 40 anos, que não estão exatamente dentro dos padrões de beleza estabelecidos. Isso é o Esquadrão Trovão.

A premissa por si só já é interessante, pois apesar de surfar na (felimezmente) interminável onda dos filmes de super-heróis, consegue trazer algo novo para o gênero. Em meio a outros ‘algos novos’ que na verdade são apenas pontos de vista diferentes e acabam se repetindo/reciclando como The Boys, Invencível e O Legado de Júpiter, Esquadrão Trovão também ‘ousa’ ao não optar pela violência exagerada e o foco em um público jovem adulto que procura super-heróis mais ‘adultos’ e/ou sanguinários. Nada disso, aqui o que vale é a boa e velha diversão pura.

É claro que há espaço para discutir e questionar padrões, esteriótipos e a sociedade como um todo. Mas a diversão é o que realmente importa aqui. E se não fosse pela escolha da produção de colocar uma personagem bem boca suja e algumas insinuações sexuais, poderia ser um filme ainda mais família. Não questiono essas escolhas, que a meu ver encaixam na trama. Só digo que talvez poderia ser mais contido buscando maior abrangência.

Falando sobre a história, acompanhamos Emily Stanton, que ainda criança, é uma garota focada e muito estudiosa. Seu propósito de vida é terminar o que seus pais começaram: uma pesquisa que daria super poderes para pessoas comuns poderem ser tornar super-heróis, afinal, graças a um fenômeno cósmico ocorrido nos anos 80, diversas pessoas ao redor do mundo desenvolveram essas super habilidades, porém, apenas aqueles pré dispostos a serem sociopatas. Dessa forma, seus pais queriam dar poderes a pessoas boas para combaterem esses super-vilões, mas infelizmente foram mortos por eles antes de concluir esse sonho, o qual Emily dedicou a vida para concluir.

Emily é claramente uma analogia de que para você ter sucesso na vida (seja lá o que você considera como sucesso), você terá que se afastar de suas amizades, terá que deixar as festinhas de lado, terá que recusar todos os convites que lhe distraia do seu foco. A tal da persistência e perseverança.

Assim, ainda na escola, Emily se afasta de sua melhor amiga Lydia, que apesar de muito esperta e muito diferente de Emily, tem um ótimo coração e se dá muito bem com ela. Porém, Lydia quer levar uma vida ‘normal’ e não acompanha/respeita as escolhas da amiga.

Qundo já são adultas de ‘meia idade’, elas acabam se reencontrando, Emily (agora interpretada por Octavia Spencer) é uma empresária/cientista muito bem sucedida e está finalmente concluindo o trabalho de sua vida (e de seus pais). Já Lydia (Melissa McCarthy) não obteve o mesmo sucesso e leva uma vida ‘medíocre’. Observou a fábula da cigarra e a formiga? Mas lembre-se: esse não é um filme pra pensar muito, foco na diversão.

Um dia, o destino as leva a se reencontrarem, há um ‘acidente’ que acaba dando super-força a Lydia, então Emily se vê obrigada a ficar com a invisibilidade. Elas decidem formar um duo e combater os super-vilões. Tudo isso está no trailer (que a meu ver acaba entregando mais do que deveria, apesar de nos enganar um pouco à la Marvel).

No que se trata de atuação, o filme dificilmente poderia ser melhor dentro do que propõe. Afinal, Melissa é vencedora de um Emmy e duas vezes indicada ao Oscar, já Octavia venceu um Oscar, um Globo de Ouro, um Bafta e também já foi indicada inúmeras vezes a diversos prêmios. E as duas estão absolutamente carismáticas, como sempre. Melissa acaba tendo um pouco mais de destaque do que Octavia, mas credito isso mais à personagem do que à atriz. Além delas, os outros atores envolvidos na produção entregam muito bem o que se espera deles dentro da ideia do filme.

A trilha sonora casa perfeitamente com o filme, sendo um dos pontos mais positivos dele. Por outro lado, a princípio pode-se pensar que os efeitos especiais são fracos, porém, quando se considera que o filme é uma sátira e que ele quer mesmo ser e se assume como farofa/pastelão, então está tudo dentro dos conformes.

E é assim que o filme deve ser encarado: puro entretenimento, zoeira descompromissada. Como dito anteriormente, há brechas para discussões mais sérias, mas em nenhum momento o filme se leva a sério. Há até valores e lições de moral até balenceadas: ora mais conservadoras, ora mais progressistas. Isso só reforça que ele não quer te fazer pensar demais, só entrar na onda da galhofa e dar umas risadas com piadas simples e aquelas situações constragedoras (mas sem ser claramente ofensivas).

Há muita gente por aí dizendo que o filme pe ruim, há até quem diga que é um candidato a pior do ano (ei merd, tranks?). Fica a seu critério, lógico. Mas para mim, se você vai com a expectativa de assistir um filme para relaxar e não se levar a sério, não tem errro. Eu assisti com minha filha de 9 anos, mas talvez não seja recomendado para qualquer criança dessa idade, como já alertei. Tanto que a classificação é 12 anos. Acho que se fosse um filme pensado para sair no cinema, teria sido podado para ser classificação livre e provavelmente tomaria menos pedrada se assim tivesse sido.

Recomendo como um filme divertido e descompromissado para quem curte o gênero de super-heróis e quer ver algo diferente do que tem estado em alta, ficando mais próximo dos filmes dos anos 80 e 90 com as devidas adapatações aos tempos atuais. E quero, sim, uma continuação, pois cabe tranquilamente.

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