Diferente da maioria dos nerds/geeks, eu amo adaptações para audiovisual. Seja de games para filmes/séries, de livros, de quadrinhos… não importa: eu quero é mais! Porém, quando anunciariam o filme em animação do Mario eu fiquei com os dois pés atrás. Pensei: ‘Pra quê? Já viram que não dá certo!’. Mas eu não poderia estar mais errado. Deu muito certo! E agora eu digo: eu quero é mais!
Se você viveu em uma caverna em Marte pelos últimos 40 anos e por isso nunca jogou ou conhece qualquer coisa que envolva o simpático encanador italiano que junto com seu irmão e amigos vive envolvido em aventuras, normalmente em busca de salvar uma princesa das garras de um terrível vilão, ainda assim você será capaz de entender e apreciar completamente (e facilmente) o filme.

Super Mario Bros. O Filme é uma linda, simples e divertida aventura fantástica. A sinopse diz: “Mario é um encanador junto com seu irmão Luigi. Um dia, eles vão parar no reino dos cogumelos, governado pela Princesa Peach, mas ameaçado pelo rei dos Koopas, que faz de tudo para conseguir reinar em todos os lugares.”
E é simples assim. Você apenas aceita a ideia de que um encanador e seu irmão vão parar em mundo de fantasia onde cogumelos falam, tartarugas são vilãs e centenas de outras coisas estranhas acontecem. Lá, eles se tornam heróis que vão ajudar a salvar esses reinos fantásticos.
Muito tem se falado sobre a falta de profundidade do filme, do roteiro fraco. Primeiramente, se você está procurando profundidade e roteiro inteligente em uma animação, baseada em uma franquia de games que tem mais de 200 jogos e que tem classificação indicativa livre, o errado é você.
Segundo que, na minha opinião, esse deve ser o maior acerto do filme. Ser leve e simples, não se preocupar em se levar a sério, não mais do que uma forma de entretenimento para toda família, inclusive (talvez até ‘principalmente’) para as crianças.
É claro que os mais velhos vão curtir a chuva, ou melhor, a enxurrada de referências e easter eggs no filme. Quem cresceu jogando os games da franquia nos últimos 40 anos vai se deliciar, e toda hora dar um risinho de lado e apontar para a tela com um ‘olha lá! viu?’. Não por acaso havia grupos compostos apenas por adultos na sessão onde eu assisti. Eu mesmo estava em grupo com 4 adultos e apenas uma criança.

Mas é o público infantil e pré-adolescente que vai embarcar de cabeça e acreditar de verdade em tudo aquilo que acontece na tela. Eles não estão nem aí se a história é fraca (e nem é tanto assim!). Se todos forem com essa certeza, de que é um filme pra entreter e trazer nostalgia sem querer ficar achando reflexões e profundidade, vai sair super satisfeito.
E mesmo assim, como eu disse, nem é tão mal roteirizado assim. A jornada do herói tá toda lá, bem clara e definida. A explicação que nos é dada é suficiente. As personalidades dos personagens são bem definidas e entendemos suas motivações, no mínimo, o necessário para nos relacionarmos com eles.

Uma coisa muito legal é a participação da Princesa Peach. Ao contrário da maioria dos jogos, especialmente os mais antigos, ela não é apenas uma mocinha indefesa que precisa ser salva. Muito pelo contrário: ela é super badass e é praticamente quem ensina o Mario a ser um herói naquele mundo que ela conhece bem. Ele ainda é o protagnoista do filme, mas divide o heroísmo com ela talvez até mais do que com seu irmão Luigi.
A relação entre os dois é construída de forma bem fluída, mesmo tendo começado por acaso. Bowser é um vilão bem clássico, que é cruel, megalomaníaco e quer ‘dominar o mundo’. Mas deram uma camada interessante pra ele, que quase que o humaniza e ao mesmo tempo o deixa ainda mais clássico: ele quer se casar com a Peach. Assim, do nada e porque sim. Até faz sentido. Ele a odeia porque na verdade a ama. E é difícil não amar a Peach, que além de ser independente, forte e inteligente, é linda e gentil.

Donkey Kong e Toad são ótimos alívios cômicos. Aliás a relação do gorilão com o encanador é muito interessante, começando como rivais involuntários e passando a parceiros de confiança mútua. Bem como suas trajetórias nos games.

Ainda tem um personagem que é um adepto ferrenho do niilismo que, pelo menos pra mim, foi muito engraçado e roubava a cena sempre que estava nela. Não conhecia esse, deve ter saído dos jogos mais novos.
Ah, vi a versão dublada. E recomendo com todas as forças! Mais uma vez a dublagem brasileira mandou absurdamente bem. Seria perfeito se a Nintendo visse isso e levasse em consideração para usar nos games e tornar oficial (já que eles adoram ser uma clubinho exclusivo). Dizem que ficou muito melhor que a dublagem original. Porém, mesmo curtindo a voz do Bowser, eu quero muito ver como ficou a versão original com o Jack Black, já que há uns momentos que são claramente ‘100% Jack Black style’.
Falando nisso, e a trilha sonora? Coisa linda! As músicas que tocam ao longo do filme são pura nostalgia. Muito bem escolhidas para as ocasiões onde são usadas e para atingir em cheio tanto o público old school, como os mais novos, pois é super empolgante. Isso sem falar na trilha sonora original, aquelas músicas instrumentais que dão o clima e o tom das cenas.
E se você for fã dos jogos, vai perceber que absolutamente TODOS os sons tão marcantes da franquia ao longo dos anos estão lá. O barulinhos dos pulos, dos socos, dos NPCs sendo derrotados, de entrar e sair dos canos, de quando se usa um power up, as vozes dos personagens que desde o Nintendo 64 fazem parte do imaginário… Tá tudo lá, o tempo todo!
E que paleta de cores linda! É bem verdade que as animações dão um banho nesse sentido. Mas a desse filme, considerando o tão vasto material original, foi certeira. Não sei se dá pra dizer que há fotografia em animações (não tenho conhecimento técnico de cinema a esse ponto), mas se há, nesse filme está ótima. Além da qualidade da animação, da renderização. Dá pre ver detalhes na íris dos olhos dos personagens, da costura da boina do Mario. Incrível!

Portanto, se você quer se divertir e curtir uma aventura fantástica, sem precisar pensar muito, só curtir, rir e se emocionar, vá assistir Super Mario Bros. Se você não for fã da franquia vai curtir bastante, desde que tenha esse objetivo. Agora, se você é um dos milhões de fãs que cresceram com esses jogos que moldaram a indústria dos games e continuam forte e se reinventando após décadas, então você vai amar. Pode ir sem medo.