Quando terminei The Office fiquei órfão de séries de comédia. Na verdade, antes de começá-la também estava me sentindo quase assim, visto que só acompanho Brooklyn Nine-Nine mas ocasionalmente, só pra relaxar, já não paro e assisto muitos episódios de uma só vez.
Só que The Office me pegou muito. Além de ser ótima como comédia, foi muito intensa, despertou muitos sentimentos. Dificilmente algo conseguiria me atrair com tamanho interesse e me fazer sentir tanto novamente.
Assim, a princípio, pensei em assistir Parks and Recreation, série que foi pensada para ser spin-off de The Office (acabou não sendo) e foi criada pelos mesmos caras que escreveram The Office e do criador de Brooklyn Nine-Nine. Mas aí pensei: ‘se não for minimamente boa como suas irmãs, vou ficar muito decepcionado, e o mais importante: a comparação sempre vai existir e jogar muito peso sobre ela’.

Dessa forma, decidi começar algo do zero mesmo. E Community estava lá, toda hora aparecendo como recomendação na Netflix. Dei uma chance, afinal, já havia ouvido falarem bem dessa série, além do mais, qualquer coisa que envolva Donald Glover me interessa (ainda não vi Han Solo, mas gosto de absolutamente TUDO de Star Wars, então não acho que vá detestar como a maioria).
E assim, com poucas expectativas e sem pressão, me permiti surpreender. E deu certo. No primeiro episódio, a gente pensa ‘ok, vai ser cheio de clichê, mas beleza, isso pode ser bom’. Mas então, logo esses clichês são jogados por terra. Todos os estereótipos que a série traz se encaixam perfeitamente em sua proposta e são explorados de uma forma bem diferente, é basicamente uma metalinguagem.
A única coisa que eu já esperava da série saiu exatamente de acordo com as expectativas: Donald Glover (Troy) arrasa! E o outro ator que eu já conhecia, Chevy Chase (Pierce) ainda me desperta sentimentos mistos. Mas isso é bom. Seu personagem tem exatamente essa proposta.

Mas foi gratificante conhecer outros bons atores em personagens que desde o início já se mostram complexos e que permitem que todos mostrem seu talento enquanto nos envolvem. O melhor de todos é Abed, interpretado brilhantemente por Danny Pudi. Inclusive, arrisco dizer que ele um dos melhores personagens com alguma questão social que já vi serem em séries de comédia/dramédia (não entendo o suficiente pra apontar o quê, mas logo nos primeiros episódios fica claro que há algo). Fica, pra mim, acima de Sheldon (The Big Bang Theory) por ser menos caricato e um pouco abaixo de Sam (Atypical), justamente por estar no meio termo entre sério e cômico.

E apesar de a série apontar que Jeff (Joel McHale) seja o principal, é inegável que Troy e Abed são os mais carismáticos e praticamente carregam a primeira temporada nas costas. Suas cenas de créditos finais são absolutamente hilárias.
A primeira temporada flui muito bem e dá pra assistir bem rapidamente, sem enjoar e com poucos momentos ‘barriga’, aqueles episódios ‘pra encher linguiça’. Aliás, uma das características mais interessantes da série é como seus episódios se sustentam sozinhos e conseguem se amarrar em uma sutil ‘trama maior’, desenvolvendo a história e os personagens quase sem que percebamos.
E então começam os episódios temáticos e especiais. O primeiro do qual me lembro, de Halloween, não é lá tão original. É divertido e acrescenta bastante na trama principal. Mas quando vem o episódio do paintball… Parece que a série muda completamente e estamos assistindo outra coisa.
Ele está na reta final da primeira temporada e pode-se até pensar que a série está se perdendo ou algo assim, mas quando você continua acompanhando, você vê que na verdade é ali que ela se acha de fato e cria uma identidade. Um tanto non-sense pra quem é mais conservador, mas absolutamente brilhante quando você mantém a mente aberta e consegue apreciar a arte da coisa.

O episódio é incrível. E os outros que passam a seguir ideia de ‘pensar fora da caixinha’ que vem na segunda temporada, são igualmente incríveis, apesar de completamente distintos entre si e de qualquer outra coisa que se pareça com esse tipo de série. Eu imagino que se você está lendo isso sem nunca ter assistido a série não esteja entendendo nada. E é mais ou menos isso que acontecerá quando você assistir. Mas no fim, tudo se encaixará de forma inesperada e engenhosa.
O segundo episódio de Halloween (que apesar de não parecer, logo após seu final, traz sérias consequências para o plot principal), o episódio animado em stop motion e msuical (SIM! E É BOM!!), o do simulador espacial, o aniversário de Abed… Todos esses são completamente ‘não convencionais’ e parecem não fazer o menor sentido. Imagino que sejam do tipo ‘ame ou odeie’. Eu amei, todos! E pra quem é nerd/geek, é um deleite ficar catando todas as incontáveis referências à cultura pop que praticamente saltam o tempo todo em nossos colos.
Além desses citados acima, o segundo episódio do paintball, que é especial, dividido em duas partes e encerra a segunda temporada, é uma chuva de referências, especialmente a Star Wars. Consegue superar as altas expectativas após o que o da primeira temporada deixou. Fora a participação especial de um dos meus atores favoritos da minha série favorita EVER (quem me acompanha, sabe). Altas chances de causar nergasms.

Uma coisa é certa: se você ainda não conhece Community, vale muito a pena dar uma chance a essa série, que somente depois de já acompanhando fui descobrir se tratar de uma obra com a qual os irmãos Anthony e Joe Russo se envolveram fortemente. Pra quem não está ligando os nomes às pessoas, eles são nada menos que os diretores de Capitão América: Soldado Invernal e Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato. E mais: eles foram notados por Kevin Feige (CEO da Marvel) quando dirigiram o tal episódio do paintball, o qual Feige, fã da série, amou.
Se esses não são motivos suficientes para você assistir Community, não sei mais o que pode ser. Eu estou apaixonado novamente por uma série de comédia, e consegui achar algo quer preenchesse o vazio deixado por The Office. E o está fazendo com extrema competência.
[…] série estava mesmo voando até a temporada 3, quando escrevi minha outra crítica aqui sobre ela. Na verdade, naquela ocasião, eu estava terminando a segunda. Mas de repente, parece que a […]
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[…] de séries desse estilo. Logo fui pesquisar outras séries minimamente parecidas com ela. Devorei Community, quena verdade não é assim muito parecida, mas super valeu a pena. Depois me apaixonei por […]
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[…] No entanto, ela não tem o mesmo padrão de qualidade acima da média que nos acostumamos a ver vindos desses dois irmãos. A régua usada para medir seus trabalhos ficou com medidas muito altas, não apenas pelo segundo filme solo do Capitão América no MCU, mas também (ou ainda mais) pelo que fizeram em Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato. Isso sem falar no episídio do paintball em Community! […]
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