Crítica | Community (3ª a 6ª temporadas)

Six seasons and a movie. A frase que Abed cunhou por volta da 3ª temporada, transmite muito bem as expectativas altas que Community nos impunha até então. E era até difícil imaginar que não se concretizaria.

A série estava mesmo voando até a temporada 3, quando escrevi minha outra crítica aqui sobre ela. Na verdade, naquela ocasião, eu estava terminando a segunda. Mas de repente, parece que a expectativa assentou e, então, na segunda metade das prometidas seis temporadas, elas começaram a cair até atingir queda livre.

Não é que a série fique ruim. Não fica. Mas ela era tão diferente e se sustentava tão bem, que seria realmente difícil manter aquele ritmo. Ela simplesmente não consegue manter a mesma qualidade, tão alta.

Tudo aquilo que fazia de Community uma série tão diferentona continuava ali. E a metalinguagem, que havia se apresentado de brincadeira e talvez até despretensiosamente, se assumiu como uma das principais características do show.

Quando os personagens sentem que o show em que eles estão está acabando, seu instinto é de sair para um spin-off mais seguro

Como já havia antecipado na outra crítica, Troy e Abed se assumem de vez como protagonistas. Ou melhor, Abed. Fica claro que Community é uma série que ele parece estar escrevendo, dirigindo e, principalmente, filmando. Tudo isso de dentro da própria série.

Quando os personagens começam a sair, do nada, não querermos acreditar que o inevitável vai acontecer e a série vai decair. É impossível manter a mesma qualidade. Não mantém. Ela tem no máximo sobrevida. A impressão é de que ela simplesmente se arrasta para chegar à prometida sexta temporada.

Ainda conseguimos dar boas risadas e até se emocionar em alguns momentos. Mas a única coisa que me fez não querer abandoná-la de vez, foi a tal metalinguagem. A série cada vez mais se aprofunda no conceito de ser uma série sobre uma série, muito mais do que sobre um grupo de estudos em uma faculdade comunitária. Aliás esse conceito inicial (e oficial) muda completamente ao ponto de até esquecermos que era esse.

“Por favor, não banque o ‘Jim’ para a câmera desse jeito”

Contudo, os plots principais e individuais conseguem, de alguma forma, se desenvolver em meio a tantas mudanças na frente e atrás das câmeras. Não é profundo e significativo, mas há algum desenvolvimento.

Uma das coisas mais legais dessas mudanças acaba sendo o espaço que outros personagens menores acabam ganhando. Starburns, Garrett, Leonard, Todd… Todos esses passam a ter algum plot e até episódios inteiros para brilhar. Isso foi um dos pontos mais positivos.

“Eu peidei na quarta temporada. Piada interna.”

Há também os personagens que se perdem e depois se acham, tendo até redenção, como Chang. Aliás, em meio a tantas mudanças, Ken Jeong acaba se destacando com a interpretação sempre brilhante de Chang. Há até personagem que havia sumido, volta do nada, ganha importância, até sumir do nada novamente.

Outro personagem que merece atenção, muito por conta da interpretação do ator, é o (dean/reitor) Craig Pelton. Ele inclusive se assume (se descobre?) e se torna mais uma importante peça na mesa de representatividade que a série sempre ostentou. É estereotipado sim, mas ora, é uma sitcom que surgiu em meados dos anos 2000. O exagero faz parte e, pelo menos, há a preocupação satírica de levantar debates.

Pra quem gosta do nonsense e dos episódios ‘viajados’ ou ‘brisados’ da série, não há decepção. Pelo contrário: a criatividade para fazer boas referências, animações, citações, paródias… Tudo isso só cresce. Parece até compensar a falta de consistência no desenvolvimento do plot individual de alguns personagens.

O final da série acaba sendo melancólico mas de acordo com o que ela (tortamente) desenvolveu ao longo das tais seis temporadas. A última, inclusive, só tendo existido graças a um salvamento de outra emissora após o abandono da original. Inclusive a mudança no tom da série é muito notável, quando ela passa a abordar assuntos sérios e mais pesados de forma mais clara.

O último episódio é o puro suco de Community: metalinguagem em sua essência, uma série brincando com o que poderia ser e o que poderia ter sido. Há emoção sim, mas muito pouco comparado com outras séries e, mais importante, com o que ela própria seria capaz de emocionar se não tivesse passado por tanta mudança.

Ficamos com a esperança de que Abed ainda consiga lançar seu filme sobre Community e finalmente a ideia de que six seasons and a movie se concretize (a possbilidade é real) e, quem sabe, isso consiga dar um final mais emocionante e digno pra saga desses personagens que nos cativaram tanto.

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