Resenha | Nyx (HQ)

Tenho uma coleção de revistas em quadrinhos. Nem sei quantas tenho, mas algumas boas dezenas. Não sou muito rápido para ler, então já li bem menos dessa coleção do que gostaria. Por isso, ocasionalmente acabo ‘descobrindo’ coisas legais dentro da coleção que já estavam lá por um tempo e eu não sabia que eram realmente boas.

A minha ‘descoberta’ mais recente foi Nyx, uma HQ da Marvel que fala sobre jovens mutantes. Eu comprei na época porque estava querendo conhecer mais sobre a personagem X-23, e a capa da HQ sugere que ela é uma das protagonistas dessa história. Só agora, que já terminei de ler, percebi que ela é uma ‘coadjuvante’, com até pouca participação e pouquíssimas falas (mas até que isso combina mesmo com a personagem que tem essa natureza mais ‘fechada’ mesmo).

E só depois de procurar mais a respeito é que soube que essa foi apenas a primeira participação da personagem nas histórias em quadrinhos e que ela havia aparecido anteriormente apenas na série animada X-Men Evolution.

Na verdade, Nyx é mais focada em outra personagem, Kiden Nixon, uma personagem que eu nunca havia ouvido falar e que provavelmente nunca mais foi utilizada no Universo Marvel.

A HQ já começa de forma bem pesada. Quando Kiden era uma criança viu seu pai, um policial, ser assassinado bem na sua frente quando estava com ela no parque enquanto sua mãe comprava um bolo para o aniversário dele.

A partir daí a vida da família de Kiden fica totalmente desestruturada e a, agora adolescente, é problemática devido a todos os conflitos que já fazem parte da idade e fase da vida, mas especialmente pelo trauma de sua infância. E como se não bastasse, a região onde Kiden vive não ajuda em nada sendo muito violenta.

Nesse ambiente onde Kiden cresce de forma desajustada, ela tem poucos amigos e acaba se envolvendo em brigas na escola que geram inimizades. Em uma dessas brigas ela acaba despertando seu poder mutante, mesmo que a princípio não saiba disso e tampouco lide bem com a situação.

A propósito, seu poder é bem interessante. Caso a personagem tivesse sido mais aproveitada no Universo Marvel, ela seria uma ótima adição aos X-Men ou alguma outra equipe mutante. Ela consegue parar o tempo. Ou quase isso.

Na verdade, o tempo passa de forma incrivelmente lenta quando ela fica sob pressão e grita “PARA!”. Enquanto o tempo está assim, pra ela tudo acontece normalmente, o tempo dela continua passando, e apesar de seus cabelo crescerem, por exemplo, ela não sente fome ou sono.

Mas o mais útil, é que ela só sai desse estado quando toca em alguém. E o impacto que causa na pessoa tocada é extremo, como se ela tivesse batido com força sobre-humana.

Um dia, depois de uma outra situação traumática em sua vida, quando uma professora que queria ajudá-la acaba sendo baleada em uma briga em que ela (Kiden) estava envolvida, ela desaparece e fica fora por meses. Essa professora, Cameron Palmer, acaba entrando em depressão e tenta suicídio, até que, do nada (aparentemente), Kiden surge em seu apartamento e chama uma ambulância a tempo de salvar a vida de sua ex-professora.

Em paralelo, vemos desenvolver a história de X-23 (que sequer tem seu nome ou codinome citado nessa história, só estou usando porque já conheço a personagem). Ela é uma garota de programa que é explorada por um cafetão que também é um gângster e vive usando cocaína.

Por fim, também acompanhamos os passos de Tatiana, uma jovem que também vive em uma família um tanto problemática e que é obcecada por animais de rua, alimentando e cuidando de praticamente todos que encontra pela rua enquanto sua mãe lhe dá pouca atenção e seus colegas de escola a excluem. Mais adiante na história descobrimos que ela também tem um curioso poder mutante, semelhante ao de Lupina dos Novos Mutantes.

Em algum momento os destinos de todas essas personagens acaba se encontrando, muito por conta de uma outra ‘habilidade incomum’ de Kiden: o espírito de seu pai tem se comunicado com ela e a tem guiado ao encontro dessas outras personagens por alguma razão que ela ainda não compreende.

No geral, a história é um tanto batida. Contudo, isso não faz dela menos boa. É muito forte e interessante. Com algumas cenas mais gráficas de violência e abuso de drogas lícitas e ilícitas e até algum apelo sexual mais intenso. Tenho certeza que essa HQ renderia uma boa série nos moldes da (extinta) parceria Marvel/Netflix. E até mesmo com uns toques do que se vê nas séries HBO (especialmente Euphoria). Seria uma espécie de Skins com mutantes.

E mesmo se não fosse o caso da adaptação para outra mídia, uma série regular, nos quadrinhos mesmo, poderia ser muito interessante. Nas mãos dos roteiristas certos poderia render muito, e os crossovers com os heróis urbanos (Cavaleiro da Lua, Demolidor, Justiceiro…) poderiam ser incríveis.

Uma pena a série ter terminado após 7 edições lançadas entre 2003 e 2005 (e teve uma minissérie em 6 edições lançada em 2009). E muito por conta disso, a HQ não é assim tão fácil de ser encontrada. Vi bastante potencial nela e gostaria de ver mais.

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