Ultimamente tenho curtido assistir dramédias. Pelo jeito não só eu, pois cada vez mais há produções desse gênero. E Shrinking – Falando a real, é uma série recente da Apple TV+ nessa pegada e que é altamente recomendável.
A sinopse é: Jimmy (Jason Segel) é um terapeuta de luto , que começa a quebrar as regras e diz a seus pacientes exatamente o que pensa sobre eles. Ignorando seu treinamento e ética, ele se vê fazendo grandes e tumultuosas mudanças na vida das pessoas, incluindo na sua própria.

Como já citado e pelo que pode ser entendido através dessa sinopse, a ideia da série é essencialmente dramática, mas é contado no geral de forma bem engraçada. Mas não se engane, apesar de você rir com bastante frequência e intensidade, quando for pra ficar triste, você pode ser pego de forma bem intensa.
Particularmente, eu ri bem mais do que me emocionei. Mas talvez não tenha sido tão pessoal, não tenha havido algum gatilho pra mim. É claro que me tocou bastante, mas não dá pra dizer que me fez rir e chorar com a mesma intensidade. Eu diria que ela está em um meio termo entre Ted Lasso e Fleabag, numa escala de dramédia.
E a certa semelhança de tom com Ted Lasso não é por acaso, já que ela foi criada pelo seu protagonista Jason Segel, Bill Lawrence (Scrubs, Cougar Town e Ted Lasso) e Brett Goldstein (Ted Lasso). Então já vimos que de ironia e sarcasmo para tratar de assuntos mais pesados é com eles mesmos.
O timing das piadas está bem nesse meio termo também. Não chega a ser uma metralhadora, super rápido como Fleabag, e há um tom irônico e que pode conter muitas referências como Ted Lasso. Você pode passar um episódio inteiro e dar apenas umas duas risadas. Mas também haverá episódios que você ja vai estar chorando de gargalhar antes mesmo dos créditos de abertura.

O melhor de tudo dessa série, que as outras citadas também têm, mas nessa daqui isso é muito mais acentuado, é a química entre o elenco e quanto eles estão à vontade e se entregam aos personagens. Nas outras duas, você sente isso com alguns personagens (e atores, por consequência). Mas em Shrinking, todos eles estão incríveis.
Provavelmente, quem você mais vai gostar será do Paul, personagem brilhantemente interpretado por Harrison Ford. Ele é um psicólogo muito experiente e competente, com um mau humor engraçado muito peculiar. Essa parte de ser um tanto ranzinza ou sarcástico até lembra os personagens mais famosos de Ford, mas para por aí. Pra mim, é o personagem mais interessante que ele já fez, com maior espaço para mostrar sua versatilidade.

Lukita Maxwell, que faz a filha de Jimmy, Alice, entrega muito bem tudo que se espera dela. E com o decorrer da temporada vai ganhando espaço e crescendo. Outra que rouba a cena com seu talento, carisma e sensualidade inata, é Jessica Williams, que interpreta Gaby, amiga e colega de trabalho de Jimmy, que era melhor amiga da sua falecida esposa. Não conhecia a atriz e já quero ver mais dela.
Quanto a Jason Segel, eu ainda sinto que ele é muito Marshall (seu personagem mais famoso, de How I Met Your Mother). Quem o conhece de lá, vai ver que há algumas semelhanças na personalidade, dá pra imaginar até que é assim que Marshall seria caso Lily, sua esposa, morresse e ele ficasse cuidando dos filhos. Mesmo assim, eu consigo ver muita evolução em sua atuação. Ele mostra muita versatilidade diante de um personagem complexo.
Shrinking é uma série muito divertida e que ao mesmo tempo te deixa muito reflexivo. Em diversos momentos vai te deixar triste, outros com um pouco de raiva, mas quase sempre vai te dar um quentinho no coração. Flui muito bem, quem gosta de maratonar vai poder fazer facilmente, pois são 10 episódios de cerca de 30 minutos cada. Ah, e não se preocupe: a segunda temporada está garantida!