Crítica | Alerta Vermelho

Misture um pouco de Carmen Sandiego e Indiana Jones com Missão Impossível e Onze Homens e um Segredo. Tempere com bastante comédia. Dessa mistura sairá algo bem próximo de Alerta Vermelho, filme Original Netflix estrelado por Dwayne Johnson (ou The Rock, se preferir), Ryan Reynolds e Gal Gadot.

A história é a seguinte: um alerta vermelho da Interpol é emitido e o agente do FBI John Hartley (The Rock) assume o caso. Durante sua busca, ele se vê diante de um assalto ousado e é forçado a se aliar ao maior ladrão de arte da história, Nolan Booth (Ryan), para capturar a ladra de arte mais procurada do mundo atualmente, Sarah Black (Gal).

A parte de Carmen Sandiego, além de uma pequena referência que quem jogava vai perceber no filme, se dá ao fato de que vemos uma ladra talentosíssima fugindo por diversos lugares do mundo e ainda tem uma sequência onde usa um vestido vermelho (sim, eu sei que a Carmen usava um casaco, mas né, era vermelho…). Aliás, fica aqui o pedido deste redator para que continuem colocando a Gal de vestido longo em todos os filmes que ela faz (já fazem isso, só continuem mesmo). A mulher é linda, mas consegue ficar ainda mais.

Da mesma forma, o Indiana Jones tá na questão da busca por um artefato valiosíssimo que muitos inclusive pensam ser lenda. Além disso, em dado momento da história o personagem de Ryan Reynolds está vestido claramente em homenagem ao personagem clássico de Harrison Ford e inclusive assovia (ou seria assobia?) o tema dos filmes.

A mistura de Missão Impossível com Onze Homens e um Segredo está nas sequências de ação insanas, daquelas que você diz ‘Ah, não, para! Que mentira!’, mas que estranhamente encaixam naquela história louca, bem como nos planos mirabolantes e disfarces para entrar em lugares que não foram feitos para serem ‘entrados’ e fugir de lugares e situações ‘infugíveis’.

Ou seja, esse é obviamente um filme para se divertir e rir despretensiosamente se você entrar na vibe dele. Eu achei bem fácil, é aquele tipo de mentirada que diverte muito e, pelo menos pra mim, não chega a ser nível Velozes e Furiosos de absurdo e desrespeito à física. É aquela mentira honesta de filmes de ação, aquela que dá gosto de ser enganado e que faz parte da magia do cinema.

Fora que qualquer filme em que Ryan Reynolds esteja fazendo um herói/anti-herói de ação, é certeza de boas gargalhadas. Depois que ele entrou no modo Deadpool, é difícil dizer onde termina o personagem e começa o ator, na vida real inclusive. Não sei o quanto isso é bom ou ruim, pois parece que ele tá sempre interpretando personagens muito parecidos, inclusive em entrevistas, mas penso que se o cara é bom naquilo ali, pode continuar fazendo só aquilo. Ainda mais quando chega num certo patamar da carreira. Eu curto e nesse filme ele rouba a cena.

Falando em fazer coisas muito parecidas sempre, The Rock é o mesmo Dwayne Johnson de sempre também (ou seria vice-versa?). E, novamente, isso pra mim é bom. O cara não se tornou um dos principais nomes do entretenimento a toa. É carismático pra caramba e faz aquele feijão com arroz saboroso, que cai bem em quase todas ocasiões desde que saiba onde tá se metendo. Não espere nada de mais dele, a não ser a boa e velha porradaria, sobrancelhas levantadas e ação insana.

Parece chover no molhado, mas dá pra dizer o mesmo também de Gal. Ela continua não sendo uma atriz brilhante, mas se você abrir o coração e a cabeça, vai notar uma evolução a cada novo trabalho seu. Nesse ela está muito leve e como não há muita exigência dramática, pelo contrário, seu personagem é bem cômico, puxando pra ironia (bem Carmen Sandiego eu diria), ela segura muito bem sua parte. Foi interessante vê-la fazendo uma vilã (em V&F ela era no máximo uma anti-heroína e quase inexpressiva).

A trama não é nenhum bicho de sete cabeças e nada novo, aqui em casa ficamos naquela de ‘Tá, blz, quando vem o plot twist? Tá com muita cara de uma virada clássica’ e a gente fica naquela de tentar descobrir, perceber os detalhes, as deixas. E quando ele finalmente veio, gente quase acertou.

Fora as cenas de ação e as várias locações ao redor do mundo, um dos principais pontos fortes do filme é a excelente química entre os protogonistas, em especial Ryan e Dwayne que têm mais tempo de tela. Eles parecem estar se divertindo muito fazendo o filme e uns com os outros.

No fim, há um daqueles ganchos que permitem uma continuação, até mesmo uma franquia se fizer muito sucesso, mas que se também não acontecer, não deixa nada importante em aberto. Pra mim, foi um ótimo entretenimento em uma tarde preguiçosa de feriadão. E é bem como ele deve ser encarado mesmo: diversão sem compromisso e sem muita expectativa, só boas risadas.

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