Se alguém tinha alguma dúvida de que Marvel’s Spider-Man 2 seria um dos grandes jogos dessa geração, ela some nos primeiros minutos. Não é só sobre balançar entre prédios ou sair no soco com vilões — é sobre entrar num ritmo tão gostoso que, quando você percebe, já passou horas ali como se fossem minutos. E sim, o jogo entrega exatamente aquela fantasia clássica: você não controla o Homem-Aranha… você é o Homem-Aranha. Ou melhor, Homens-Aranha, no plural!
Quando jogar vira hábito (e um baita vício)
A jogabilidade aqui é aquele tipo de evolução que não reinventa nada, mas melhora absolutamente tudo que já funcionava. Alternar entre Peter e Miles não é só um detalhe legal — muda o jeito que você encara as missões, o combate e até o clima das cenas. Afinal, cada um deles tem suas habilidades especiais únicas, bem como missões e ataques especiais
E falando em combate: tá mais agressivo, mais rápido e mais estiloso. Você não só luta — você dança com os inimigos. É combo, gadget, habilidade especial… e quando entra no flow, esquece. Já era.

Mas o verdadeiro crime aqui é a movimentação. As teias continuam deliciosas de usar, só que agora com as web wings, a coisa escala pra outro nível. Planar pela cidade, ganhar impulso, atravessar pontes… tem momentos em que você nem lembra que tem missão ativa, porque só sair planando já é diversão suficiente.
Não é só sobre salvar o mundo
A história é onde o jogo realmente ganha peso. Aqui, o roteiro entende que ser herói tem um custo — e cobra isso o tempo todo.
A dinâmica entre Peter e Miles é o coração da narrativa. Enquanto um lida com responsabilidades cada vez maiores, o outro tenta encontrar seu próprio espaço. E isso dá um equilíbrio muito humano pra trama.
Harry Osborn entra em Spider-Man 2 como mais do que um nome conhecido da mitologia do Aranhaverso: ele é uma presença que ajuda a dar peso emocional à história e amplia bastante o vínculo entre os personagens centrais. Sem entrar em spoilers, dá para dizer que sua participação funciona como uma peça importante nesse quebra-cabeça afetivo e dramático, porque o jogo usa Harry para tensionar relações, reforçar o lado humano da trama e lembrar que, ali, o heroísmo nunca vem isolado da vida pessoal. Ele não está ali só para cumprir tabela de fã de quadrinho. A presença dele ajuda a mover a narrativa para um território mais íntimo, mais vulnerável e, em certos momentos, até mais incômodo.

MJ também ganha ainda mais espaço além do papel clássico de “par romântico do herói”. Aqui, ela tem agência, participa ativamente da trama e encara situações que fogem completamente da zona de conforto — o que ajuda a construir uma personagem mais interessante e menos dependente do Peter. Sem entrar em detalhes, o jogo aposta em momentos específicos com ela que mudam o ritmo da narrativa e trazem uma tensão diferente, mais pé no chão, quase palpável. Pode até dividir opiniões em termos de gameplay (eu particularmente curti bastante), mas dentro da história funciona bem.
E aí entram as ameaças. Kraven the Hunter chega como aquele perigo constante, quase inevitável. Já Venom… bem, Venom não entra em cena pra brincar. Ele muda o tom do jogo. Deixa tudo mais pesado, mais tenso, mais pessoal e perigoso.
Tem momentos aqui que não são sobre ação — são sobre impacto. E o jogo sabe exatamente quando desacelerar pra fazer isso funcionar.
Nova York como você nunca cansou de ver
Se já era divertido explorar Nova York antes, agora virou praticamente um playground definitivo. A cidade tá maior, mais viva e mais detalhada, com Brooklyn e Queens expandindo ainda mais esse mapa.
As atividades secundárias, no geral, têm mais propósito. Não parecem só “checklist de mundo aberto”. Muitas delas ajudam a construir o universo e aprofundar personagens.

Mas nem tudo escapa: ainda rola aquela sensação de repetição em alguns momentos. Nada que estrague a experiência — mas dá aquela leve impressão de “já vi isso antes”.
Bonito demais pra ser ignorado
Tecnicamente, o jogo é um absurdo. A Insomniac Games basicamente mostra o que o PS5 consegue fazer quando bem utilizado.
- Loadings? Quase inexistentes
- Transições? Lisas
- Gráficos? Ridículos de bons
E a trilha sonora acompanha perfeitamente o ritmo: sabe quando acelerar, quando segurar e quando simplesmente deixar a cena respirar. A dublagem em português também merece destaque: ajuda muito na imersão e aproxima ainda mais da história.
O equilíbrio entre o espetacular e o seguro
Spider-Man 2 acerta muito mais do que erra. É maior, mais bonito, mais ambicioso — mas também joga um pouco seguro em certos pontos. Ele melhora a fórmula ao invés de quebrá-la.
E isso pode dividir opiniões. Pra alguns, é exatamente o que precisava. Pra outros, pode parecer que faltou ousadia.
Mas sendo bem honesto? Quando o básico já é tão bom assim, melhorar ele já é meio caminho andado pra acertar.
Vale a pena?
Marvel’s Spider-Man 2 é aquele tipo de jogo que te prende sem esforço. Você entra pra fazer uma missão e, quando vê, já limpou metade do mapa, fez side quests, tirou foto, salvou NPC… e ainda quer mais.
Digo com autoridade. Eu não tenho um PS5, como também não tive um PS4. Quando joguei o primeiro game da franquia, eu tinha pego emprestado o PS4 de um amigo que foi passar umas semanas viajando. Aí platinei. Nunca havia feito isso com jogo nenhum.
Dessa vez, peguei um PS5 também emprestado, só que no trabalho. Em resumo, a empresa tem um PS5 que roda na mão do time de liderança. Aí um amigo tem uma conta recheada na PS+, incluindo o segundo jogo. Ele me emprestou a conta. Praticamente platinei também em uma semana (ficou faltando um troféu, mas para pegar ele tem que jogar tudo de novo no modo novo que abre depois que zera e não estava com paciência ou tempo para isso).
Portanto, quando digo que é um jogo viciante e gostoso, falo sério.

Ele não reinventa o gênero. Não tenta ser revolucionário. Mas faz tudo com tanto capricho que isso simplesmente deixa de importar.
Se você tem um PS5, esse aqui não é só recomendação — é praticamente obrigatório