Resenha | Lady Killer

Uma dona de casa estadunidense típica e tradicional dos anos 1960. Mãe, esposa dedicada. Uma mulher que (infelizmente) recentemente voltou a ser exaltada através dos adjetivos bela, recatada e do lar. Porém, Josie Schuller também leva uma vida secreta como assassina de aluguel e isso torna as coisas muito mais interessantes.

Assim é o plot de Lady Killer lançado no Brasil pela Darkside em seu selo de Graphic Novels. Trata-se de uma história com muita ação e sangue, em determinados momentos podemos visualizar claramente uma cena de um filme de Quentin Tarantino, inclusive com todo aquele capricho no visual exagerado.

A história já começa com Josie, nossa protagonista, fazendo uma visita a uma senhora aparentemente comum (que inclusive lembra muito a Dona Hermínia de Minha mãe é uma peça). Ela está disfarçada de vendedora de produtos Avon, uma das poucas atividades que eram ‘adequadas’ às mulheres recatadas da sociedade estadunidense da época. Mas logo vemos que nem Josie nem mesmo essa senhora são quem aparentam ser.

E logo também entendemos como Josie concilia sua vida secreta e os afezeres de mulher simples e tranquila, que vive o sonho americano. Com duas filhas gêmeas para criar e cuidar, ela precisa da ajuda de sua sogra que mora junto com a família para tomar conta das meninas enquanto sai e executa suas missões. Porém a velha desconfia que algo está errado, apesar de nunca imaginar a verdade. Ela acha o óbvio: que Josie está traindo seu filho.

Inclusive, há alguns indícios durante a história que poderiam fazer qualquer um supor isso, afinal, seu chefe direto, Peck, é um tremendo galanteador e volta e meia está entrando em contato com Josie (e jogando seu ‘charme’ no maior estilo ‘se colar, colou’). Peck seria uma espécie de James Bond mais canalha e violento, mas menos inteligente.

Até que em dado momento, fatores acabam ameaçando a vida dupla de Josie. O grande chefão da ‘agência’ para qual ela trabalha lhe dá uma espécie de ultimato: sendo ela uma das mais eficientes e antigas naquilo que faz, ele precisa dela em tempo integral, afinal, ela está sempre em dificuldade de conciliar suas missões com sua vida pessoal e acaba ficando muito restrita. E ao lhe entregar uma missão que coloca seu código e honra em xeque, a intima a se dedicar totalmente ao seu trabalho.

É então que tudo começa a desmoronar e sua vida particular e profissional começam a se encontrar e ela precisa se desdobrar para executar (ou não) sua missão, sobreviver e ainda não permitir que sua verdade venha à tona.

E tudo isso é contado através de uma narrativa bem fluida e dinâmica, cenas de ação muito bem desenhadas e coloridas, e diálogos divertidos e eficazes que contêm críticas ácidas à sociedade na qual a história está inserida (e, por que não, à nossa sociedade atual).

Sem contar que a edição da Darkside mantém a qualidade que quem já acompanha o trabalho da editora está acostumado. Um capricho e cuidado refinados. Páginas com papel de muita qualidade e acabamento que dá todo o tom necessário para imersão na trama.

Lady Killer é uma história que se tivesse um homem como protagonista acabaria sendo clichê e não traria nada novo, mas como se trata de uma mulher nos anos 60, dá margem para tratar de muita coisa e mostra que há muito potencial para ser explorado no gênero, especialmente quando encontra uma equipe criativa inspirada e talentosa como esta aqui apresentada. Leia, surpreenda-se e divirta-se.

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